Saloio sim, parvo não

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Em resposta ao Pedro Tomás, agradeço teres lido com atenção todo o meu texto, mas parece que infelizmente nunca leste o “Sobre mim”, que está neste blog, o que teria evitado um pequeno embaraço teu agora. Citando-me a mim próprio:

Desde o surgimento da tecnologia RSS, e actualmente da sua massificação, que me tornei um blogger, e finalmente com este blog rendo-me de novo ao Concelho e Vila que me viram crescer.

Sou tão saloio como tu, visto apenas não ter nascido nesta bela vila onde já o meu pai nasceu, porque a maternidade da mesma já se encontrava encerrada, e ter nascido de uma gravidez de alto risco, no Hospital de Santa Maria em Lisboa. No entanto vim para Mafra mal deram me deram alta, e passei a habitar uma casa simpática bem dentro desta vila que adoro, onde cresci com muito orgulho. Nunca tive habitação fora de Mafra, e tenho orgulho na minha origem saloia, e orgulhosamente quando oiço o mal uso da palavra saloio em Lisboa, onde passo grande parte do meu tempo, respondo como o meu pai tantas vezes o faz: Saloio sim, parvo não. Logo agradeço a tua preocupação em acolher bem as pessoas que chegam ao concelho, mas não é o meu caso.

Quanto ao sair da cadeira e fazer algo de útil pelos outros nesta vila, bem meu caro, já fiz algumas vezes coisas que penso tenham ajudado as pessoas por aqui. Sou membro do Banco Alimentar contra a fome, e já realizei bastantes campanhas no Modelo de Mafra, tanto a recolher e entregar sacos, como até a ajudar na organização, e a tomar a responsabilidade por turnos inteiros. Também fiz já bastantes vezes ajuda nas campanhas de doação de sangue, parte da organização, prestando-me a tarefas tão insignificantes como recolher as senhas das pessoas que vão entrando para os médicos, e coordenar as ditas entradas, ou andar na carrinha da mesma associação no dia antes da recolha de sangue a fazer publicidade à mesma. Claro que nada disto é tão nobre e elevado como a tua participação na JS, ACISM e nas associações de estudantes que frequentaste, sim eu conheço minimamente o teu percurso, não iria dizer nada sem saber minimamente do que falo, pelo menos na tua óptica.

As minhas actividades mais “nobres”, segundo o que muita gente acha, estão mais longe, quase sempre em Lisboa. Já fui editor de pequenas publicações dentro do fantástico, estive envolvido no movimento Académico, e fiz parte da organização de diversos encontros literários, e workshops, especialmente no âmbito do fantástico nas artes, ao qual vieram convidados internacionais, alguns de renome. Penso que isso não se faz ficando sentado na cadeira, como bem deves saber. Sou membro fundador com muito orgulho da Épica, Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, juntamente com diversos autores nacionais, editores, críticos e outras figuras. Foi um convite que quando me foi feito muito me agradou, e é dos projectos que mais gozo me deram levar a bom porto. Realmente nunca fiz nada neste âmbito na nossa vila, apesar de já o ter falado várias vezes dentro da associação, mas nunca vi meios e estruturas para conseguir um bom projecto. Possivelmente tens acesso a mais meios que eu, se achas que é viável, contacta-me, o meu mail está no “Sobre mim”, e tomamos um café para ver se poderemos fazer algo.

Também não falo do alto da minha saúde imaculada como dizes. Eu também não sou um exemplo de saúde, nunca o fui. Sou asmático desde criança, e estou gordo. Isso fora uma lesão crónica no joelho, vitima de um triste incidente no Metro de Lisboa, mas não é isso que me faz deixar de frequentar um ginásio. Abomino comprimidos para emagrecer, e outras soluções rápidas, podes encontrar um artigo meu de Setembro neste blog onde falo disso, e faço ginásio porque me sinto pesado, e fico melhor comigo mesmo, mais forte, mais ágil, e mais resistente fazendo-o. Faço por mim, não pelos outros. Quem faz este tipo de coisas pelos outros, e são muitos, acaba por ser fútil e vazio, logo não merece o meu tempo.

Ter saúde é mau…

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Pedro Tomás subscreve:

«Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta. É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira, em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas, em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»
Miguel Sousa Tavares, Expresso

Realmente senhor Tavares, ou Pedro Tomás pois será mais provável que leia o que escrevo que o senhor Tavares, o que fazia falta era aquelas gerações antigas de grandes pensadores, de cara amarelada pelos anos, cabelo desgrenhado pelos anos, e cigarro na mão enquanto seguíam para mais uma discussão filosófica e melancólica da qual só saiam opiniões, e poucas acções. Mas estranhamente, fora a parte do café que onde nunca vi o senhor Tavares, todo o resto da descrição assenta-lhe que nem uma luva. O seu aspecto parece cada dia mais com um de um texto de Cesário Verde, e a sua decadência mais óbvia. Mas porque tudo isto? Porque todo este ressabianço de as pessoas cuidarem da saúde? Será por ter sido proibido de fumar o seu cigarro para cima das outras pessoas? É que nos dias a seguir à nova lei do tabaco ter entrado em vigor, muito o autor do Equador veio refilar com a intrusão do estado na saúde das pessoas, e agora vai mais longe, e critica as pessoas por acharem uma prioridade na sua vida a saúde. E sim, ele refere saúde, mas depois tenta apenas criticar o aspecto. Meter tudo no mesmo saco é um truque antigo de Miguel Sousa Tavares, e muitas vezes também feito aqui pelo senhor Pedro Tomás, em seu blog. Não que sejam parecidos, pois um é afirmativamente PS, e eternamente candidato a candidato a algo, e o Miguel Sousa Tavares é conhecido pelo seu direitismo CDS-PP, se bem que sempre contra toda e qualquer liderança, pois não têm exactamente a mesma ideia que ele. Claro que para mim o partido de Miguel Sousa Tavares é o Umbiguismo… mas isso são contas para outro rosário.

Mas porque não separar os argumentos todos, e tentar ver quais os bons, e os maus (segundo a minha opinião claro).

Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta.

Ambíguo, mas acho que uma geração que transforma a saúde como sua prioridade, é uma geração que provavelmente dura mais anos e mais saudável. Não vejo mal nisso. E se viver mais tempo, tem mais tempo para se dedicar às causas que segue. E acho o tempo gasto no ginásio muito revigorante para a mente, pois quando lá estou na solidão do exercício, muito penso e reflicto. Ou só se pode reflectir na ponta de um cigarro?

É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira

Pois é meu caro, as mulheres já não têm de ficar em casa a tomar conta dos filhos, e agora só os têm se quiserem, e não porque o marido assim deseja. Realmente, que mau…

em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas,

Os fazedores de imagem acham que eles terem uma imagem saudável é aconselhável. Mais ainda, pensam que o público começa a achar que quem fuma, ou seja se auto-destrói com um prazer que normalmente começa apenas como uma forma de mostrar ao amigos que é fixe, é alguém com menos capacidade para gerir a vida de todos. Realmente, um tipo de suicida lento é o gajo ideal para nos governar. Os fazedores de imagem não repararam nisso. E pior, o público também prefere quem não o faz. Mas espera, não era o país que apoiava todo a “liberdade” dos fumadores? Parece que não…

em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»

Esta parte concordo, quase na totalidade. Que raio, parece que o Sousa Tavares sabe mesmo escrever. Deixou para o fim os argumentos decentes, e com algum sentido, para depois ser isso que fica na memória, e o leitor mais rápido e desatento possa ficar com a ideia que tudo o que o senhor diz faz sentido, e que realmente a saúde é mau. Espera, isso não pode ser considerado oportunismo? Não deve ser. Pois não seria capaz uma pessoa que nunca usou a imagem e o nome de uma mãe que era escritora genial, nem usou um espaço de comentário numa televisão sensacionalista, para conseguir chegar ao público geral com um par de romances, que se tornam best sellers imediatos. Isso não é oportunismo, são coincidências.

Mas pronto, ter saúde é mau…

Dia 1 de Fevereiro, dia de luto

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Estive para escrever algo sobre o dia do regicidio, mas acabei por não o fazer, e encontrei um texto doutro blog que exprime quase por inteiro a minha posição, logo vou deixar o link para o mesmo e uma pequena adenda minha.

 Sou Republicana porque nasci numa República e porque voto no Presidente da República, mas não me afectaria nada viver numa Monarquia.

A minha nota fica para a participação do Presidente da República na cerimónia de inauguração de uma estátua de D. Carlos. Ponto positivo para a sua tomada de posição, e ponto negativo ao governo e ao Ministro da Defesa  que impediram a Banda da Marinha de prestar a justa homenagem a um antigo chefe de estado que sempre honrou a farda dessa força armada que tantas vezes envergou. Pena Cavaco Silva não ter puxado dos galões, e passado por cima da ordem do Ministro, porque apesar de tudo, e segundo a nossa Constituição, é ele o chefe supremo das forças armadas.

Filhos de Húrin - O "regresso" de J.R.R. Tolkien

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The_Children_of_Hurin_cover Sempre fui um pouco critico de Silmarillion, que muitos fãs de Tolkien veneram como a obra suprema do mesmo. Mesmo me considerando fã deste grande senhor, considero que nessa obra falta a sua voz, o que na realidade não é estranho, visto ser uma colectânea de apontamentos dele, revistos, reescritos e editados, pelo seu filho Christopher e Guy Gavriel Kay, este último mais tarde viria a tornar-se um autor, que eu particularmente aprecio no género. Apesar disso das duas vezes que li essa obra, uma em português e uma na língua original, gostei, mas faltou sempre a tal voz de Tolkien, que eu adorei tanto na trilogia Senhor dos Aneis, como no Hobbit, a minha obra favorita do grande mestre.

Para juntar ao facto de Os Filhos de Húrin ser também uma obra de edição, e reescrita em parte, de Christopher, baseado nos textos do seu pai, esta estória está também contida no Silmarillion, mas como um dos muitos contos alinhavados por alto. Todos estes factos me afastaram um pouco da compra do livro, mas sempre mantive a curiosidade, e fui dizendo que se algum dia mo emprestassem, acabaria por ler. Isso não veio a acontecer, mas melhor ainda, foi-me oferecido no Natal, ainda por cima inesperadamente, e por uma pessoa especial.

Andava numa estranha sabática literária desde o Verão de 2007, e cada livro que começava dificilmente acabava, tal como a minha vida bloguistica, andava meio em baixa. No início de 2008 peguei neste livro então, e para me ajudar nas viagens diárias entre Mafra e Lisboa, foi eleito para me acompanhar. Em três dias foi lido de uma ponta à outra.

A história é negra, isso já sabia, mas de uma beleza rara. A luta de um homem amaldiçoado aquando do seu desafio a um grande poder levou a uma maldição sobre a sua casa, na qual dizia em que tudo o que os seus filhos fizessem, seria condenado ao fracasso. As suas boas decisões encontrariam sempre um azar para as minar, os seus bons companheiros pereceriam, e nunca conseguiriam ser felizes em lado nenhum. E que apesar da sua grande força seriam sempre perseguidos sobre a sombra negra que cairia sobre o seu destino.

E é assim que seguímos toda a vida dos seus dois filhos, muito especialmente de Turín Tarambar. Grande entre as raças amadas pelos Valar, forte, astuto e corajoso, Turín vive a sua vida sempre com a sombra negra do seu destino. Mais não quero revelar, até porque vale a pena lerem por vocês. Mas o dialogo entre Morgoth e Hurin, é algo de genial, e que tem todos os traços de um verdadeiro diálogo de J.R.R. Tolkien, coisa que senti muita falta no Silmarillion.

Para quem gosta de boa fantasia, e mesmo para quem apenas gosta de desfrutar um bom livro, é algo a ler.

Maria da Fonte - o hino esquecido

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Na cerimónia de inauguração de ontem, do último troço da A21, foi tocado pela banda da Escola de Música Juventude de Mafra, o Hino da Maria da Fonte. Pergunto-me quantos entre os presentes saberão o que é isso, e mais ainda, o que ele significa. Na verdade, o Maria da Fonte é um Hino Nacional, de valia quase igual à Portuguesa, sendo que o primeiro é normalmente usado para saudar altos cargos militares, e ministros da Republica, enquanto que o segundo é sempre utilizado na presença do Presidente.

Para quem não conhece a letra, que aposto que seja a maioria das pessoas, fica aqui a letra do mesmo, criada pelo maestro Angelo Frondoni, e que foi durante muitos anos a música do Partido Progessista.

Viva a Maria da Fonte
Com as pistolas na mão
Para matar os cabrais
Que são falsos à nação

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

Viva a Maria da Fonte
A cavalo e sem cair
Com as pistolas à cinta
A tocar a reunir

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

Lá raiou a liberdade
Que a nação há-de aditar
Glória ao Minho que primeiro
O seu grito fez soar

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

E eis que o tiro ressoa agora na Internet apenas

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Posso dizer que muito do que sei hoje do fantástico, e do que conheço, foi fruto de amizade e de contacto pessoal com algumas pessoas muito especiais para mim, especialmente a partir de 2002. Para quem me conhece minimamente, sabe que a pessoa que mais me acompanhou nesse percurso, onde ambos crescemos, se bem que ela esteja num patamar muito mais alto que eu, foi a Safaa Dib, companheira de tantos projectos. Num desses projectos, apareceu um tal de Dragão Quântico, homem de palavra fácil, simpatia e sorriso marcante, e um projecto amador de grande qualidade, uma Fanzine. Nessa fanzine apareciam textos de amadores de todo o estilo, e num dos projectos que eu tinha com a Safaa, foi muito publicitado, e aí recolheu muitos novos autores. Essa colaboração deu alas a outras, e sempre com este Dragão na vanguarda.

Rogério Ribeiro de seu nome, Biólogo de profissão, é das pessoas que mais respeito no meio, provavelmente a que mais gosto mesmo, excluindo a Safaa, e acho-o um trabalhador genial. E por isso conseguiu erguer a Fanzine a um ponto muito alto, até que teve de a abandonar um pouco para ter tempo para outros projectos, mais concretamente o Fórum Fantástico (na altura Encontros Literários, na faculdade de Letras), e a Épica. Posso dizer que é das coisas que mais me orgulho neste meio foi ter sido convidado por ele para a fundação da, Épica, Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, e de ter podido ajudar, se bem que muito esparsamente, na organização de alguns destes eventos. Mas com o tempo passado, algo do género da antiga fanzine fazia falta, e a convite da Editora Saída de Emergência, foi lançada a revista Bang!.

Com edição impressa, e um profissionalismo maior, era o passo em frente seguro da antiga fanzine, e com uma qualidade invejavel. Porém hoje tive a triste noticia que a revista acabou a sua versão impressa, mas nem por isso parou. Continuará, agora de forma gratuita e em formato digital. E desenganem-se aqueles que pensam que tudo o que se faz em Portugal de borla é mau, pois este trabalho é profissional, de qualidade, e com um intuito forte de divulgar o género ao publico em geral. Continuarei sempre a seguir, até acabei de enviar o ficheiro para o PDA para o ler nos próximos dias por inteiro, e aconselho todos a fazerem download desta revista em formato digital. Acreditem, tudo o que vi até hoje com a assinatura Rogério “Dragão Quântico ” Ribeiro, é de alta qualidade.

Podem aceder à mesma, carregando aqui.

E do limbo, surgem guitarras em 2007

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“The best rock and roll band left on the planet.” -Sammy Hagar, vocalista dos Van Halen

Depois do concerto dos Metallica, no Super Bock Super Rock, tive uma súbita vontade de voltar mais ao ambiente rico em guitarra que cresci a ouvir. Bandas como AC/DC, Metallica, Megadeth, Anthrax, Stone Temple Pilots, e claro Guns’n'Roses voltaram a ser a minha companhia, depois de alguns anos ligado a power/epic/afins metal. E posso dizer que me reencontrei musicalmente.

A zona que vai desde o hard rock até ao thrash metal é sem dúvida o meu lar musical. Mas em parte achei-o velho e vazio de novidades.
Muitas bandas extintas, outras que mais valiam estar extintas, outras a experimentar outros géneros, mas coisas novas nesta linha, com ideias e qualidade, não conhecia nada. E foi neste clima que meio do nada oiço uma noticia que uns tais de Velvet Revolver, citados como Hard-Rock, iam lançar o segundo álbum, e em anexo à noticia vinha um comentário do seu guitarrista, Slash. Mal li quem era o guitarrista, nada mais nada mesmo que o guitarra solo da época de ouro dos Guns, fui em busca de mais informação.

A banda é formada não por um, mas por três membros da época de ouro dos Guns, guitarra solo, baixo e bateria, e para melhorar ainda mais o cenário, o vocalista é o Scott Weiland, ex-voz dos Stone Temple Pilots. Logo tratei de arranjar o album, se bem que com muito medo que fosse algo típico de uma junção de reformados dos 80/90’s só para fazer dinheiro.

Felizmente estava enganado, e Libertad é para mim o melhor álbum de 2007, que é juntamente com o outro álbum da banda, Contraband de 2003, uma lufada de ar fresco no Hard-Rock. E conseguíram evitar o risco de colagem ao passado. A sonoridade não é a de Guns, nem a de STP, nem uma mistura rasca de ambas, é mesmo algo novo, é Velvet Revolver!

Dia de 1 Janeiro de 2008 - O Dia da Liberdade de Opção

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Dia 1 de Janeiro este rectângulo à beira mar plantado foi alvo de uma lei que mudou drasticamente a vivência dos seus habitantes. Para muitos a liberdade de poderem finalmente estar num café sem levar com o tabaco dos outros, para outros uma restrição à sua liberdade, digna de um governo totalitário. No último texto que tinha colocado aqui já tinha referido que muitos portugueses sentiam que este governo estava a tomar medidas de alguma repressão, e totalitárias, será este mais um caso.

Por toda a rua, Internet e qualquer outro sítio onde possam expressar a opinião, fumadores de todas as idades e credos juram a pés juntos o seu civismo durante a todo o tempo que fumaram com a anterior lei. Sempre que fumaram, dizem, que pediram se podiam fumar a quem estava com eles. Eu muito raramente vi isso acontecer, mas pronto a questão é outra. Uma pessoa entra num bar, e como se sente afectada pela quantidade de fumo, os fumadores reparam e param de fumar. Sim, isto é apenas hipoteticamente, porque nunca vi algo deste género a acontecer, mesmo quando alguém tossia ferozmente. Mas pronto, os fumadores dizem que paravam de fumar, e voilá, tudo resolvido. Claro, porque toda a gente sabe que não existem nuvens enormes de fumo em qualquer bar/discoteca, ou mesmo muitas vezes restaurantes e pastelarias. Para eles é só parar de fumar naquele momento, e tudo está limpo. Claro que o bom samaritano fumador vem logo dizer que nas discotecas e bares nocturnos isto não faz sentido, porque as pessoas que frequentas estes meios ou estão habituadas ao tabaco, ou fumam. Será que eles nunca se lembraram que muita gente saía menos à noite por causa da suposta liberdade deles? Para mim liberdade sempre me foi ensinado que era ter os meus direitos, até ao ponto em que não afectava os direitos dos outros.

Mas esta lei peca especialmente por tardia, visto haverem hábitos muito enraizados na sociedade Portuguesa. Muitos fumadores, que apesar de tudo se encontram a cumprir positivamente a lei, queixam-se de tudo e de todos, até porque podem fumar menos. Um caso giro que vi foi um empregado na televisão a dizer que agora com isto, o governo vai-lhe baixar a produtividade no emprego, visto agora ter de fazer pausas de hora a hora, para fumar o seu cigarro. Será que o patrão dele apoia isso? Agora além do tempo que temos para ir à casa de banho e lanchar, justos na minha opinião, tem de se dar tempo para o cigarro? E quem não fuma, para compensar pode ter 5 minutos de hora a hora, para ir assobiar uma cantiga, se quiser? Facto positivo é a quantidade de pessoas que conheço que tomaram a decisão de deixar de fumar com a saída desta lei, e isso é uma grande vitória. Sim, porque em parte a lei também era para cortar o ciclo vicioso de que ir a um café era socializar e fumar, levando pessoas ao vicio do tabaco para poderem socializar.

E acima de tudo foi o dia em que a maioria silenciosa de portugueses perdeu a vergonha. Agora com esta lei, parece que finalmente acordaram e viram que não têm de tomar por medida com os vícios dos outros, e podem em sítios públicos viver na sua forma de vida, sem serem prejudicados pelas formas de vida de outros.

O ano de 2007

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Hah, what luck
Fascism you can vote for

- Stone Sour

Bem, muito se pode dizer sobre o ano que passou, mas o que me fica mais na ideia, é algo que esta frase de um poema entoado pelos Stone Sour no seu álbum de abertura me faz pensar. Neste ano que passou muito se falou dos direitos e das liberdades, e pela primeira vez desde que me conheço, vejo quase diariamente pessoas em Portugal a queixarem-se do estado fascista em que foi parar Portugal. Isto apesar de ter sido um governo eleito democráticamente.

Obviamente não concordo que isto seja um regime fascista, até porque já por dezenas de vezes me insurgi pela forma como o termo fascismo é usado para qualificar toda e qualquer ditadura, e agora para qualquer forma totalitária de poder. Mas uma coisa é certa, no ano de 2007 muitas ocorrencias meteram as pessoas a pensar, desde as medidas impopulares do Governo em relação a tudo e mais alguma coisa, a sempre presente ASAE, e ao extremo de Jornalistas da RTP a receberem processos por expressarem opiniões contrárias ao governo, e até sindicatos a serem alvo de buscas da PSP em vespera de manifestações. Isto para não falar do professor que foi afastado por dizer mal do governo.

Será que em 2008 o clima de semi-totalitarismo irá mudar, ou será mesmo este governo de José Sócrates um Fascismo no qual se pode votar, como diz a citação com que iniciei este texto?

Espero que seja um bom ano, e é isso que desejo para todos, os que se deram ao trabalho de ler estas linhas, e aos que nem sequer alguma vez ouviram falar deste cantinho.

Quanto vale uma chávena de café

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Quanto vale uma chávena de café? Muito facilmente se pode referir o seu valor monetário, mas isso representa o seu real valor? Não será apenas esse valor aquele que estamos dispostos a pagar por ela? E esse valor não é apenas uma estimativa feita pelo comerciante de quanto a maioria pagará por aquele bem?

Normalmente separa-se o valor dos cafés pela sua escala de preço, tornando logo um café na tasca do Ti Manel muito menos valioso que o mesmo bem degustado num café centenário em plena praça D. Pedro IV. Já para não falar do reles café tirado numa máquina automática da faculdade a escassos trinta centimos, mas que tantas vezes me permitiu ficar desperto e focado para concluir um trabalho. Será que isso não dirá mais do seu real valor?

E os cafés tomados nas tascas da zona, onde com amigos desabafei, ouvi, planeei e sonhei? São menos valiosos que um café rápido tomado na Brasileira? Não.

E porque tudo isto? Porque é Natal, e isso é para mim valioso. E sou sincero, para mim o Natal vale muito. E nem é pelo feriado, nem pelo significado religioso, é por algo bem mais simples. É por ver grande parte da familia em amena cavaqueira. Por recordar durante horas a fio com as primas os nossos Natais enquanto crianças, porque sim, o verdadeiro Natal é das crianças. Aquele sorriso de criança a abrir um embrulho com o que queria, é simplesmente mágico. Pode ser consumismo, capitalismo ou o que quiserem, mas adoro o Natal.

PS: Mas odeio a confusão nos centros-comerciais nos dias antes do Natal…