Resquiat in Pace Sir Arthur C. Clarke

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ACCportrait Mais uma pessoa que me diz muito no campo da literatura, e do fantástico no seu todo, nos abandona. Parece que desde que iniciei este blog que começa a ser o prato do dia. Mas as pessoas não são eternas, e o grande mestre que nos abandona hoje já não era novo, como ele próprio o disse, já tinha passado mais de noventa órbitas do céu. E com grande humor referiu recentemente que uma pessoa sabe que está velho, quando as velas custam mais que o bolo. Esta frase foi proferida por ele num vídeo, que colocarei aqui no final do texto via youtube, em Dezembro de 2007, por altura do seu nonagésimo aniversário, em que ele próprio admite que a morte está perto, e no qual quis deixar algumas palavras aos seus fãs.

Lembro-me do meu primeiro contacto com Arthur C. Clarke, num verão do inicio da década de 90. Teria eu os meus dez, talvez onze, anos e resolvi ir, como tantas vezes, até à Biblioteca Municipal de Mafra, para ver se alugava um livro. Nesse dia resolvi pegar em ficção cientifica, pois eu gostava de ciência, e o tema haveria de me interessar. 2001 Odisseia no Espaço foi o titulo que me saltou à vista, e lá o trouxe para casa. Ficaria bem dizer que o devorei num instante, mas não foi esse o caso. Lembro-me que demorei algum tempo a lê-lo, provavelmente um mês, até porque achei que era um pouco difícil, e que tinha um final mau até. O que na altura achei difícil, anos mais tarde na releitura, e na língua original, achei delicioso. E o final que achara mau, de repente tornou-se mágico e perfeito. Esta obra era na realidade um pequeno conto que Clarke tinha escrito, mais tarde por desafio de Stanley Kulbric reescrito e aumentado, para aquilo que viria a ser o guião do filme, e finalmente preparado para a versão final em romance.

Parece que a cada passo que dei na minha vida, descobri mais um pouco de Clarke. De escritor de livros que li em criança, passou para referencia como um dos grandes nomes da Ficção Cientifica. Depois dentro desta como um daqueles que realmente até percebia algo de ciência, e se ralava com ela. Não em apenas fazer naves aos tiros, que tão mau nome tem dado ao género. E já na faculdade, no estudo de satélites artificiais e a sua utilização nas telecomunicações, vim a saber que Clarke foi o primeiro a propor tal uso, e a descrever com precisão qual seria a melhor órbita para estes operarem. E esta órbita é a que ainda hoje é utilizada, de tal forma que por muitos é conhecida por Órbita Clarke. Acredito que durante muitos anos ainda vou descobrir mais facetas deste homem, nascido no Reino Unido no início do século passado, e que hoje nos deixou, na ilha onde viveu grande parte da sua vida, e que Camões refere logo no primeiro canto dos Lusíadas como Taprobana. Problemas de respiração tiraram a vida ao homem que ainda em Dezembro dizia que não era por estar preso a uma cadeira de rodas que estava impedido de viajar com a sua mente pelo universo.

Mas se algo me deixa feliz no meio desta noticia de morte, é as palavras do homem, eternizadas por ele em vídeo, em que diz que viveu uma vida grande, e que viu mais nascer e acontecer do que alguma vez supôs. Viveu uma boa vida. Descansa em paz.

Cliquem aqui para ver o vídeo.

Música de Intervenção I - José Carlos Ary dos Santos

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ArydosSantosEste texto segue com o nome de Música de Intervenção I, pois de seguida farei outro um pouco em contra ponto. Portugal é dito um país de poetas, e felizmente temos a história polvilhada de grandes mestres desta arte, uns mais conhecidos, outros menos, mas a qualidade existe pelas gerações fora. Muitos deles tiveram algumas das suas obras convertidas em música, na sua maioria anos após a sua morte, desde Florbela Espanca a Camões, mas também tivemos nomes que percorreram o caminho inverso, sendo primeiro conhecidos pelas letras que fizeram para a música, que são verdadeiros poemas. E um desses grandes nomes, é sem dúvida José Carlos Ary dos Santos.

Não acho contudo que toda a música seja poesia, e sinceramente, muitas das músicas que oiço, e aprecio, dificilmente considero tal coisa. Nem toda a música precisa de ser uma boa poesia para ser uma boa música. E muito boa poesia pode falhar na sua transformação para música. E nem tudo o que se escreve em verso, é poesia… Para dizer a verdade, nem sequer precisa de ser verso para ser poesia, mas chega de deambulações.

A poesia de Ary dos Santos não era normalmente vã, e no meio de um regime ditatorial, soube fazer letras para músicas de intervenção, e para as levar ao maior palco da altura, o festival da canção. Fazer letras de intervenção para ser apresentado ao público máximo, fintando primeiro a mão da censura, e depois ser notada o que era ao povo pensante, não era tarefa fácil. Juntando isso a algo que fosse bom o suficiente para ganhar o concurso, e ir até ao palco internacional, era de génio.

Em 1969 finta a censura com a Desfolhada Portuguesa, cantado por Simone de Oliveira, subvertendo e mostrando uma mensagem anti-ditatorial, passa o crivo inicial da censura, e chega ao estrelato, tendo sido posteriormente uma das melhores participações portuguesas do festival Eurovisão da Canção. A censura passou uma vergonha, e não se esperava que se voltasse a deixar enganar. Mas em 1973, durante o completo descrédito da primavera Marcelista, Ary dos Santos repete a graça, desta vez pela voz de Fernando Tordo, e de forma muito mais directa. Fica aqui o vídeo da música, em tributo a um poeta que lutou pela arma que conhecia contra um regime, e me deixa a pensar o quão fracos são os supostos músicos de intervenção do tal Hip Hop Tuga, mas isso vai ser guardado para o artigo que vem em seguida.

O Socrates também cumpre parte do que promete

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Numa altura em que toda a gente anda a comentar que o sr. Sócrates só promete coisas que não cumpre, fica aqui um video com algum tempo, de uma promessa que ele está a cumprir à risca:

 

(video encontrado via Stat(ing) My Mind)

Resquiat in Pace Gary Gygax

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gygax Cada dia que passa mais pessoas deixam este mundo, mas quando são quem nos disse algo em vida, ou que nos fez usufruir das suas criações, pesa-nos um pouco mais. Há minutos tive a notícia que havia falecido Gary Gygax, um nome que sei que a quase todos os que me lêem, bem, eu pensar que alguém me lê já é uma pretensão bem grande, nada diz provavelmente. Este senhor que abandonou hoje o reino dos vivos foi um dos maiores senhores da nova indústria de jogo, que se revolucionou no século XX.

De início começou por conhecer o jogo mais sério, ou seja não apenas aqueles jogos para crianças, nos anos cinquenta, e a partir daí entrou numa espiral. Não apenas porque tinha boas ideias e visão para jogos, coisa que só vem a tornar pública e forte nos anos 70, mas porque sempre pensou que não são apenas as crianças que têm direito de jogar. E que o jogo pode ser algo bem mais forte. A primeira grande obra que conseguiu, foi a criação de uma associação de jogadores de jogos de estratégia, isto ainda antes do Homem ir à lua, em 1966.

Mais tarde foi na sua casa que a primeira experiência de uma convenção de jogadores veio a acontecer, isto em 1967, com cerca de vinte jogadores. Este evento é conhecido por Gen Con 0, pois foi dela que veio toda a sequência de Gen Con, que hoje é o maior evento de jogo do mundo, que ainda na versão do ano passado teve mais de vinte sete mil participantes. Grande crescimento.

Mas a sua obra mais reconhecida, e à qual é o seu nome ligado para a eternidade é todo o universo, e sistemas de jogo Dungeons and Dragons. Criado por si, e por causa do qual criou uma companhia que durante muitos anos foi lider de mercado, a TSR, todo este sistema de jogo e universo levou o Role Playing Game a milhões (é o jogo do género mais jogado do mundo), e à compra do mesmo pela gigante do ramo Wizards of the Coast (empresa propriedade da Hasbro), que fez dele o seu porta estandarte. O jogo é ainda hoje o mais jogado, vários filmes foram feitos sobre este universo, do qual também centenas de romances foram escritos, e que até séries de televisão teve. A nova versão do sistema de jogo irá ser lançada este ano, e será infelizmente a última a contar com o nome de Gary Gygax, como um dos seus consultores, mas o seu legado ficará para sempre.

Apesar disso, mais que tudo o que Gary Gygax sempre tentou e fez, foi ensinar o mundo que nunca se é velho para sonhar, brincar e aprender. Que a diversão é para todos, pais, filhos e amigos. E para uma pessoa como eu, que teve muitas horas de diversão desde os meus 15-16 anos, com ideias deste senhor, apesar de nos últimos anos não ter jogado nada do género, fica aqui um especial agradecimento para este homem, que hoje deixou de estar entre nós. Descansa em paz.

Indiana Jones - o grande aventureiro está de regresso

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Quantas pessoas nos anos 90 pensaram em ser arqueólogos por causa de Indiana Jones, que é sem dúvida um grande marco no cinema de aventura? Fruto de uma colaboração de George Lucas com Steven Spielberg. Sou fã ávido da série, por muito que quando cresci tenha descoberto que a veracidade histórica dos factos ali apresentados ser tanta como as investigações do Dan Brown, ou a coerência do José Sócrates. Mas o filme nunca teve qualquer tipo de pretensão de ser histórico, mas de divertir, e isso sempre cumpriu. Quando ouvi que ia ser feito um novo filme, com a mesma equipa, fiquei muito satisfeito, mesmo sabendo que não conseguíram convencer o Sean Connery a voltar ao activo para participar. Neste filme Indiana tem a companhia do seu filho. Ver o eterno filho rebelde como pai, deve ser um desafio. Mas por agora fica aqui o trailer.

Eu, sem dúvida nenhuma, quero ver o filme!

Olha sempre pró lado fixe da vida

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É com esta frase que finaliza o espectáculo d’”Os Melhores Sketches dos Monty Python“, que esteve em exibição no auditório dos Oceanos no Casino de Lisboa, e que agora anda em digressão pelo país. Considero-me um fã deste grupo de humoristas que entrou para a história já nos idos anos 70, apesar de eu próprio já os ter conhecido tarde, já andava eu na faculdade, e o grupo já tinha findado o seu trabalho à quase vinte anos. E isso meteu-me renitente em relação a uma adaptação dos seus sketches para a língua de Eça, sim, prefiro dizer de Eça do que de Camões, um dia escrevo algo em relação a isso. Mantive-me quase até à última hora indeciso sobre se haveria de ir ver esta adaptação ou não, mas como surgiu em prenda de Natal, e uma grande prenda, pois foi surpreendente, e baseada nos meus gostos (tanto por Monty Python como de Nuno Markl seu adaptador).

Quando fui ver o espectáculo já ia com um bom pressentimento, e alegre, até pela companhia, e não me desiludi. Toda a envolvência do auditório ajudaram em muito, a encenação, a cargo de António Feio e a adaptação de Nuno Markl estavam muito bem. Gostei especialmente das liberdades a que ele se deu para adaptar alguns sketches marcantes, como o do Lenhador que perderia muito pela fraca ligação dessa profissão a Portugal, e a sua mudança para trolha, que criou um efeito muito bem conseguido.

Não gostei particularmente da actuação do Bruno Nogueira, estando um pouco preso, algo que vem sendo comum nele nos últimos tempos. A sua chegada à fama demasiado rápida por vezes faz parecer que acaba por actuar com o ego elevado, e limitar a sua naturalidade. Jorge Mourato por outro lado encarna em grande parte dos sketches o papel de vitima, e de uma maneira muito bem conseguída.

A dupla António Feio e José Pedro Gomes, mesmo que não sejam oficialmente uma dupla ali, é sempre algo especial. Sigo esta dupla desde a original Conversas da Treta, ainda nos tempos de rádio, e a química que têm entre eles é algo fora de série. E emprestam-na aos mais variados sketches enriquecendo-os de uma maneira muito positiva. Seria o ponto alto do espectáculo, não fosse outro homem.

Já vi dezenas de trabalhos diferentes por Miguel Guilherme, desde à muitos anos, mas em 2007 atingiu para mim o seu ponto alto. No campo da televisão e do drama, o programa Diz-me como foi em exibição na RTP1 nas noites de Domingo, é em sim muito bom, e a participação de Miguel Guilherme de um nível altíssimo. Mas no humor, género onde começou por aparecer, atingiu o seu topo agora a tomar para Portugal estas peças de Monty Python. Absolutamente genial.

O espectáculo em sim está muito bem conseguido, com uma excelente adaptação, e todos os envolvidos estão de parabens. Merece cada cêntimo que se paga para ir ver. E se foi oferecido como no meu caso, só têm de agradecer profundamente a quem vos ofereceu.

Beber água mata

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Bem, se calhar temos de pensar em controlar a água que cada um bebe. Fica aqui a nota para um artigo preocupante…

Resultados preliminares da autópsia apontaram que tinha sofrido um ataque cardíaco, mas um exame post-mortem mostrou que McNamara morreu porque o seu cérebro inchou devido a uma «intoxicação por água».

A intoxicação por água, ou hiponatremia, ocorre quando a ingestão de uma grande quantidade do líquido em curto período de tempo dilui minerais vitais para o organismo, como o sódio, a níveis baixíssimos.

…ou então não.

Saloio sim, parvo não

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Em resposta ao Pedro Tomás, agradeço teres lido com atenção todo o meu texto, mas parece que infelizmente nunca leste o “Sobre mim”, que está neste blog, o que teria evitado um pequeno embaraço teu agora. Citando-me a mim próprio:

Desde o surgimento da tecnologia RSS, e actualmente da sua massificação, que me tornei um blogger, e finalmente com este blog rendo-me de novo ao Concelho e Vila que me viram crescer.

Sou tão saloio como tu, visto apenas não ter nascido nesta bela vila onde já o meu pai nasceu, porque a maternidade da mesma já se encontrava encerrada, e ter nascido de uma gravidez de alto risco, no Hospital de Santa Maria em Lisboa. No entanto vim para Mafra mal deram me deram alta, e passei a habitar uma casa simpática bem dentro desta vila que adoro, onde cresci com muito orgulho. Nunca tive habitação fora de Mafra, e tenho orgulho na minha origem saloia, e orgulhosamente quando oiço o mal uso da palavra saloio em Lisboa, onde passo grande parte do meu tempo, respondo como o meu pai tantas vezes o faz: Saloio sim, parvo não. Logo agradeço a tua preocupação em acolher bem as pessoas que chegam ao concelho, mas não é o meu caso.

Quanto ao sair da cadeira e fazer algo de útil pelos outros nesta vila, bem meu caro, já fiz algumas vezes coisas que penso tenham ajudado as pessoas por aqui. Sou membro do Banco Alimentar contra a fome, e já realizei bastantes campanhas no Modelo de Mafra, tanto a recolher e entregar sacos, como até a ajudar na organização, e a tomar a responsabilidade por turnos inteiros. Também fiz já bastantes vezes ajuda nas campanhas de doação de sangue, parte da organização, prestando-me a tarefas tão insignificantes como recolher as senhas das pessoas que vão entrando para os médicos, e coordenar as ditas entradas, ou andar na carrinha da mesma associação no dia antes da recolha de sangue a fazer publicidade à mesma. Claro que nada disto é tão nobre e elevado como a tua participação na JS, ACISM e nas associações de estudantes que frequentaste, sim eu conheço minimamente o teu percurso, não iria dizer nada sem saber minimamente do que falo, pelo menos na tua óptica.

As minhas actividades mais “nobres”, segundo o que muita gente acha, estão mais longe, quase sempre em Lisboa. Já fui editor de pequenas publicações dentro do fantástico, estive envolvido no movimento Académico, e fiz parte da organização de diversos encontros literários, e workshops, especialmente no âmbito do fantástico nas artes, ao qual vieram convidados internacionais, alguns de renome. Penso que isso não se faz ficando sentado na cadeira, como bem deves saber. Sou membro fundador com muito orgulho da Épica, Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, juntamente com diversos autores nacionais, editores, críticos e outras figuras. Foi um convite que quando me foi feito muito me agradou, e é dos projectos que mais gozo me deram levar a bom porto. Realmente nunca fiz nada neste âmbito na nossa vila, apesar de já o ter falado várias vezes dentro da associação, mas nunca vi meios e estruturas para conseguir um bom projecto. Possivelmente tens acesso a mais meios que eu, se achas que é viável, contacta-me, o meu mail está no “Sobre mim”, e tomamos um café para ver se poderemos fazer algo.

Também não falo do alto da minha saúde imaculada como dizes. Eu também não sou um exemplo de saúde, nunca o fui. Sou asmático desde criança, e estou gordo. Isso fora uma lesão crónica no joelho, vitima de um triste incidente no Metro de Lisboa, mas não é isso que me faz deixar de frequentar um ginásio. Abomino comprimidos para emagrecer, e outras soluções rápidas, podes encontrar um artigo meu de Setembro neste blog onde falo disso, e faço ginásio porque me sinto pesado, e fico melhor comigo mesmo, mais forte, mais ágil, e mais resistente fazendo-o. Faço por mim, não pelos outros. Quem faz este tipo de coisas pelos outros, e são muitos, acaba por ser fútil e vazio, logo não merece o meu tempo.

Ter saúde é mau…

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Pedro Tomás subscreve:

«Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta. É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira, em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas, em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»
Miguel Sousa Tavares, Expresso

Realmente senhor Tavares, ou Pedro Tomás pois será mais provável que leia o que escrevo que o senhor Tavares, o que fazia falta era aquelas gerações antigas de grandes pensadores, de cara amarelada pelos anos, cabelo desgrenhado pelos anos, e cigarro na mão enquanto seguíam para mais uma discussão filosófica e melancólica da qual só saiam opiniões, e poucas acções. Mas estranhamente, fora a parte do café que onde nunca vi o senhor Tavares, todo o resto da descrição assenta-lhe que nem uma luva. O seu aspecto parece cada dia mais com um de um texto de Cesário Verde, e a sua decadência mais óbvia. Mas porque tudo isto? Porque todo este ressabianço de as pessoas cuidarem da saúde? Será por ter sido proibido de fumar o seu cigarro para cima das outras pessoas? É que nos dias a seguir à nova lei do tabaco ter entrado em vigor, muito o autor do Equador veio refilar com a intrusão do estado na saúde das pessoas, e agora vai mais longe, e critica as pessoas por acharem uma prioridade na sua vida a saúde. E sim, ele refere saúde, mas depois tenta apenas criticar o aspecto. Meter tudo no mesmo saco é um truque antigo de Miguel Sousa Tavares, e muitas vezes também feito aqui pelo senhor Pedro Tomás, em seu blog. Não que sejam parecidos, pois um é afirmativamente PS, e eternamente candidato a candidato a algo, e o Miguel Sousa Tavares é conhecido pelo seu direitismo CDS-PP, se bem que sempre contra toda e qualquer liderança, pois não têm exactamente a mesma ideia que ele. Claro que para mim o partido de Miguel Sousa Tavares é o Umbiguismo… mas isso são contas para outro rosário.

Mas porque não separar os argumentos todos, e tentar ver quais os bons, e os maus (segundo a minha opinião claro).

Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta.

Ambíguo, mas acho que uma geração que transforma a saúde como sua prioridade, é uma geração que provavelmente dura mais anos e mais saudável. Não vejo mal nisso. E se viver mais tempo, tem mais tempo para se dedicar às causas que segue. E acho o tempo gasto no ginásio muito revigorante para a mente, pois quando lá estou na solidão do exercício, muito penso e reflicto. Ou só se pode reflectir na ponta de um cigarro?

É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira

Pois é meu caro, as mulheres já não têm de ficar em casa a tomar conta dos filhos, e agora só os têm se quiserem, e não porque o marido assim deseja. Realmente, que mau…

em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas,

Os fazedores de imagem acham que eles terem uma imagem saudável é aconselhável. Mais ainda, pensam que o público começa a achar que quem fuma, ou seja se auto-destrói com um prazer que normalmente começa apenas como uma forma de mostrar ao amigos que é fixe, é alguém com menos capacidade para gerir a vida de todos. Realmente, um tipo de suicida lento é o gajo ideal para nos governar. Os fazedores de imagem não repararam nisso. E pior, o público também prefere quem não o faz. Mas espera, não era o país que apoiava todo a “liberdade” dos fumadores? Parece que não…

em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»

Esta parte concordo, quase na totalidade. Que raio, parece que o Sousa Tavares sabe mesmo escrever. Deixou para o fim os argumentos decentes, e com algum sentido, para depois ser isso que fica na memória, e o leitor mais rápido e desatento possa ficar com a ideia que tudo o que o senhor diz faz sentido, e que realmente a saúde é mau. Espera, isso não pode ser considerado oportunismo? Não deve ser. Pois não seria capaz uma pessoa que nunca usou a imagem e o nome de uma mãe que era escritora genial, nem usou um espaço de comentário numa televisão sensacionalista, para conseguir chegar ao público geral com um par de romances, que se tornam best sellers imediatos. Isso não é oportunismo, são coincidências.

Mas pronto, ter saúde é mau…

Dia 1 de Fevereiro, dia de luto

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Estive para escrever algo sobre o dia do regicidio, mas acabei por não o fazer, e encontrei um texto doutro blog que exprime quase por inteiro a minha posição, logo vou deixar o link para o mesmo e uma pequena adenda minha.

 Sou Republicana porque nasci numa República e porque voto no Presidente da República, mas não me afectaria nada viver numa Monarquia.

A minha nota fica para a participação do Presidente da República na cerimónia de inauguração de uma estátua de D. Carlos. Ponto positivo para a sua tomada de posição, e ponto negativo ao governo e ao Ministro da Defesa  que impediram a Banda da Marinha de prestar a justa homenagem a um antigo chefe de estado que sempre honrou a farda dessa força armada que tantas vezes envergou. Pena Cavaco Silva não ter puxado dos galões, e passado por cima da ordem do Ministro, porque apesar de tudo, e segundo a nossa Constituição, é ele o chefe supremo das forças armadas.