Assaltos a chegar à nossa terra

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Durante algum tempo, o «gang das almofadas» – nome de guerra por que ficou conhecido um grupo que assaltou vários estabelecimentos, colectividades e residências – utilizando um «pé de cabra», partindo as almofadas das portas, penetrando no interior e roubando pequenos objectos mas de muito valor, fez o pavor em Mafra. Um pouco adormecido ou utilizando outras tácticas, este grupo deixou de fazer das suas em grande escala para se dedicar a pequenos furtos de tabaco, bebidas e alguns trocos que os comerciantes deixavam nas caixas propositadamente abertas para evitar o vandalismo nas mesmas.

Mas agora o mesmo ou outro com as mesmas características volta à carga, e os assaltos a residências, estabelecimentos e colectividades estão na ordem do dia em Mafra.

Neste domingo, último dia de Agosto, a casa de um tio meu foi assaltada em plena vila de Mafra, (Avenida 1.º de Maio) ao fim da tarde. Juntamente com mais algumas casas do mesmo prédio onde vivem, perto do largo do Pelourinho, uma zona densamente povoada. As perdas monetárias são pesadas, mas as psicológicas ainda são maiores. Saber que uma criança de quatro anos está neste momento agarrada a uma almofada num sofá, a dizer apenas “Os maus entraram cá”, dói. Saber que durante muito tempo a casa que aquela família possui, a pagar com o suor do trabalho, e que é deles, não lhes vai parecer um santuário, como qualquer lar deve ser, dói. Um grupo, ou apenas uma pessoa, mas pronto, de animais que não sabem viver em sociedade roubaram o fruto do trabalho da vida de pessoas honestas, e assustaram durante muito tempo a vida dessa gente. Se não fosse minha família ficaria indignado, sendo da minha família, além de me indignar doi-me. Cada vez que a imagem mental do meu primo pequenino, agarrado à almofada a pensar nos «maus» que foram à casa dele, cerrasse-me os dentes em raiva. E depois começo a pensar na onda de violência que neste último ano tem crescido de forma imparável. Azar diz o Governo. Falta de integração social diz o Bloco de Esquerda. Eu por outro lado digo outra coisa.

Faz dia 15 de Setembro um ano da aplicação das medidas do novo código de processo penal, encaradas pelo nosso Primeiro-Ministro, o senhor José Sócrates, como de grande evolução humanista. Com isto mais de metade dos presos em prisão preventiva tiveram uma hipótese de sair em liberdade até serem julgados. Esta oportunidade foi concedida e, coincidência ou não, estranhamente aconteceu a grande vaga de crimes, especialmente assaltos, que apareceu neste ano. Lembrem-se que a oportunidade foi dada a alguns pedófilos, alguns outros casos mais ou menos mediáticos, mas na maioria dos casos foi dada a assaltantes, crime considerado menor. É menor roubar o pão da vida de quem trabalha? É menor meter as pessoas trabalhadoras deste País com medo de chegar a sua casa, paga com o suor do seu corpo, e a encontrarem vazia? Ou pior, correr o risco de ser assaltado com uma arma apontada à cabeça como aconteceu numa papelaria a semana passada em frente à escola Secundária José Saramago? É justo dar uma oportunidade de esperar em liberdade pelo julgamento, a pessoas que são apanhadas em flagrante delito, ou com provas fortes?

Achava mais justo tentar maximizar as oportunidades de crianças pequenas não terem de chorar ao ver o sítio que consideram lar e santuário violado. Aos pais que não têm de pensar em como recuperar, com o fruto do seu trabalho, aquilo que já tinham conseguido e lhes foi retirado por animais que ignoram todas as regras que nos permitem viver em sociedade.

10 de Junho - Dia de Portugal? Será realmente correcto?

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Hoje é dia 10 de Junho. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em suma o nosso dia nacional. E porquê? Porque a certa altura algum iluminado resolveu dizer que este era o dia da morte, ou nascimento, do poeta Luís Vaz de Camões. E por isso, numa vaga de recriação de feriados, com o intuito de retirar os feriados religiosos e substituir por outros, logo após a revolução de 5 de Outubro de 1910, Lisboa, para manter uma festa não religiosa perto da data do Santo António, decretou esta data como feriado Municipal. Anos mais tarde durante o estado novo resolveram tornar a data mais forte ainda, associando-lhe o “Dia da Raça”, termo que foi usado de novo este ano por Aníbal Cavaco Silva, com polémica de pronto criada. Ninguém dúvida da importância deste poeta, mas é esta tanta ao ponto de fazer esquecer o dia da nossa independência?

Se perguntarem a qualquer pessoa de outra nação, eles provavelmente sabem o seu dia da independência, até porque é feriado, no entanto em Portugal não. O mais curioso é existirem feriados de revolução. Temos a revolução de 25 de Abril de 1974 marcada como feriado, temos a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 como feriado, e a restauração da independência como feriado do 1º de Dezembro. Ou seja temos a troca de regime duas vezes, e até a restauração da independência como feriados de estado, mas a data da independência deste rectângulo à beira mar plantado não.

Mas que data é esta a da nossa independência? Aí temos um pequeno problema, é que existem no mínimo duas. A data de declaração de independência, e a que mais me agradaria ter como feriado, é 24 de Junho de 1128 (e data em que abri este blog o ano passado, propositadamente para celebrar). Ou seja a data da Batalha de S. Mamede, onde D. Afonso Henriques defrontou as hostes galegas de sua mãe e venceu. A partir daí declarou independência e passou a assinar como Principe de Portugal. A questão é essa, ele não se declarou Rei logo aí, e só o viria a fazer em 1143, e à outra data que poderia ser tornada feriado.

A data é a do Tratado de Zamora, que põe fim à guerra da independencia portuguesa, e em que o Rei de Leão e Castela reconhece a nossa independencia, e D. Afonso Henriques como Rei de Portugal. E esta é a data que mais me choca, visto já ser na realidade feriado, mas não por este motivo. A data é 5 de Outubro, e porque não passarem a dar mais importancia a esta data que à implantação da Républica? Será que o regime é mais importante que a nação?