Assaltos a chegar à nossa terra

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Durante algum tempo, o «gang das almofadas» – nome de guerra por que ficou conhecido um grupo que assaltou vários estabelecimentos, colectividades e residências – utilizando um «pé de cabra», partindo as almofadas das portas, penetrando no interior e roubando pequenos objectos mas de muito valor, fez o pavor em Mafra. Um pouco adormecido ou utilizando outras tácticas, este grupo deixou de fazer das suas em grande escala para se dedicar a pequenos furtos de tabaco, bebidas e alguns trocos que os comerciantes deixavam nas caixas propositadamente abertas para evitar o vandalismo nas mesmas.

Mas agora o mesmo ou outro com as mesmas características volta à carga, e os assaltos a residências, estabelecimentos e colectividades estão na ordem do dia em Mafra.

Neste domingo, último dia de Agosto, a casa de um tio meu foi assaltada em plena vila de Mafra, (Avenida 1.º de Maio) ao fim da tarde. Juntamente com mais algumas casas do mesmo prédio onde vivem, perto do largo do Pelourinho, uma zona densamente povoada. As perdas monetárias são pesadas, mas as psicológicas ainda são maiores. Saber que uma criança de quatro anos está neste momento agarrada a uma almofada num sofá, a dizer apenas “Os maus entraram cá”, dói. Saber que durante muito tempo a casa que aquela família possui, a pagar com o suor do trabalho, e que é deles, não lhes vai parecer um santuário, como qualquer lar deve ser, dói. Um grupo, ou apenas uma pessoa, mas pronto, de animais que não sabem viver em sociedade roubaram o fruto do trabalho da vida de pessoas honestas, e assustaram durante muito tempo a vida dessa gente. Se não fosse minha família ficaria indignado, sendo da minha família, além de me indignar doi-me. Cada vez que a imagem mental do meu primo pequenino, agarrado à almofada a pensar nos «maus» que foram à casa dele, cerrasse-me os dentes em raiva. E depois começo a pensar na onda de violência que neste último ano tem crescido de forma imparável. Azar diz o Governo. Falta de integração social diz o Bloco de Esquerda. Eu por outro lado digo outra coisa.

Faz dia 15 de Setembro um ano da aplicação das medidas do novo código de processo penal, encaradas pelo nosso Primeiro-Ministro, o senhor José Sócrates, como de grande evolução humanista. Com isto mais de metade dos presos em prisão preventiva tiveram uma hipótese de sair em liberdade até serem julgados. Esta oportunidade foi concedida e, coincidência ou não, estranhamente aconteceu a grande vaga de crimes, especialmente assaltos, que apareceu neste ano. Lembrem-se que a oportunidade foi dada a alguns pedófilos, alguns outros casos mais ou menos mediáticos, mas na maioria dos casos foi dada a assaltantes, crime considerado menor. É menor roubar o pão da vida de quem trabalha? É menor meter as pessoas trabalhadoras deste País com medo de chegar a sua casa, paga com o suor do seu corpo, e a encontrarem vazia? Ou pior, correr o risco de ser assaltado com uma arma apontada à cabeça como aconteceu numa papelaria a semana passada em frente à escola Secundária José Saramago? É justo dar uma oportunidade de esperar em liberdade pelo julgamento, a pessoas que são apanhadas em flagrante delito, ou com provas fortes?

Achava mais justo tentar maximizar as oportunidades de crianças pequenas não terem de chorar ao ver o sítio que consideram lar e santuário violado. Aos pais que não têm de pensar em como recuperar, com o fruto do seu trabalho, aquilo que já tinham conseguido e lhes foi retirado por animais que ignoram todas as regras que nos permitem viver em sociedade.

O caso do telemóvel, o maior crime nacional

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Deixei propositadamente acalmar toda a euforia bloguística e jornalística sobre o caso da miúda que enfurecidamente tentou recuperar o seu telemóvel, para falar um bocado sobre uma coisa que me chocou bastante em todo o processo. Sim, em parte falhei, porque isto ainda dá pano para mangas por toda a imprensa, e blogosfera, mas será agora que direi o que penso.

Não, não estou chocado com a miúda que fez a triste cena. É uma acção de indisciplina, é mau para toda a gente que se tomem comportamentos destes, mas não é nada que nunca se tenha ouvido. Quem nunca ouviu de casos bem mais graves nos dias de hoje? Ok, foi filmado, e tornado público. Grande coisa.

Também não é pela atitude da professora. Muito já ouvi falar sobre ela ter agido bem ou mal, tanto que até já me faz confusão. Para mim agiu mal, a partir do momento em que foi buscar pessoalmente o telemóvel à mão da miúda quebrou a barreira física entre aluno e professor, e as cenas que se seguíram foram apenas uma consequência patética. Mas isto não minora o erro da aluna. Não é por uma ter errado que a outra fez a coisa certa.

Os miúdos meterem-se a gravar, e não separarem as pessoas para poder filmar mais um bocado, provaram que são miúdos. Agiram mal, sim é verdade. Toda a gente também já percebeu isto.

Agora as declarações e toda a colocação e aproveitamento mediático por parte do procurador geral da República são para mim o pior de tudo. Não tem a atenuante da professora de se encontrar sob uma turma que não controla, ou dos miúdos serem miúdos. O procurador apareceu logo na TV a dizer que ia seguir com atenção todo este caso, e que já tinha colocado o Ministério Público a tratar do crime público de ofensas que aconteceu. Serei apenas eu que vi uma miúda a agarrar-se a uma professora por causa de um telemóvel? Não vi facas sacadas, nem armas apontadas. Nem sequer um murro. Porque raio é que o nosso mais alto Procurador tem de vir seguir este caso com atenção, para que seja punido exemplarmente o seu causador? Não existe criminalidade mais grave que isto em Portugal? Se for assim, fico realmente satisfeito… Viver num país em que o crime mais grave que anda a acontecer é uma aluna de 14 anos andar a brigar com a professora pela posse de um telemóvel. Uff, antes isso que homicídios com armas de calibre de guerra ou carjacking a tornar-se popular.

Música de Intervenção I - José Carlos Ary dos Santos

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ArydosSantosEste texto segue com o nome de Música de Intervenção I, pois de seguida farei outro um pouco em contra ponto. Portugal é dito um país de poetas, e felizmente temos a história polvilhada de grandes mestres desta arte, uns mais conhecidos, outros menos, mas a qualidade existe pelas gerações fora. Muitos deles tiveram algumas das suas obras convertidas em música, na sua maioria anos após a sua morte, desde Florbela Espanca a Camões, mas também tivemos nomes que percorreram o caminho inverso, sendo primeiro conhecidos pelas letras que fizeram para a música, que são verdadeiros poemas. E um desses grandes nomes, é sem dúvida José Carlos Ary dos Santos.

Não acho contudo que toda a música seja poesia, e sinceramente, muitas das músicas que oiço, e aprecio, dificilmente considero tal coisa. Nem toda a música precisa de ser uma boa poesia para ser uma boa música. E muito boa poesia pode falhar na sua transformação para música. E nem tudo o que se escreve em verso, é poesia… Para dizer a verdade, nem sequer precisa de ser verso para ser poesia, mas chega de deambulações.

A poesia de Ary dos Santos não era normalmente vã, e no meio de um regime ditatorial, soube fazer letras para músicas de intervenção, e para as levar ao maior palco da altura, o festival da canção. Fazer letras de intervenção para ser apresentado ao público máximo, fintando primeiro a mão da censura, e depois ser notada o que era ao povo pensante, não era tarefa fácil. Juntando isso a algo que fosse bom o suficiente para ganhar o concurso, e ir até ao palco internacional, era de génio.

Em 1969 finta a censura com a Desfolhada Portuguesa, cantado por Simone de Oliveira, subvertendo e mostrando uma mensagem anti-ditatorial, passa o crivo inicial da censura, e chega ao estrelato, tendo sido posteriormente uma das melhores participações portuguesas do festival Eurovisão da Canção. A censura passou uma vergonha, e não se esperava que se voltasse a deixar enganar. Mas em 1973, durante o completo descrédito da primavera Marcelista, Ary dos Santos repete a graça, desta vez pela voz de Fernando Tordo, e de forma muito mais directa. Fica aqui o vídeo da música, em tributo a um poeta que lutou pela arma que conhecia contra um regime, e me deixa a pensar o quão fracos são os supostos músicos de intervenção do tal Hip Hop Tuga, mas isso vai ser guardado para o artigo que vem em seguida.

O Socrates também cumpre parte do que promete

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Numa altura em que toda a gente anda a comentar que o sr. Sócrates só promete coisas que não cumpre, fica aqui um video com algum tempo, de uma promessa que ele está a cumprir à risca:

 

(video encontrado via Stat(ing) My Mind)

Saloio sim, parvo não

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Em resposta ao Pedro Tomás, agradeço teres lido com atenção todo o meu texto, mas parece que infelizmente nunca leste o “Sobre mim”, que está neste blog, o que teria evitado um pequeno embaraço teu agora. Citando-me a mim próprio:

Desde o surgimento da tecnologia RSS, e actualmente da sua massificação, que me tornei um blogger, e finalmente com este blog rendo-me de novo ao Concelho e Vila que me viram crescer.

Sou tão saloio como tu, visto apenas não ter nascido nesta bela vila onde já o meu pai nasceu, porque a maternidade da mesma já se encontrava encerrada, e ter nascido de uma gravidez de alto risco, no Hospital de Santa Maria em Lisboa. No entanto vim para Mafra mal deram me deram alta, e passei a habitar uma casa simpática bem dentro desta vila que adoro, onde cresci com muito orgulho. Nunca tive habitação fora de Mafra, e tenho orgulho na minha origem saloia, e orgulhosamente quando oiço o mal uso da palavra saloio em Lisboa, onde passo grande parte do meu tempo, respondo como o meu pai tantas vezes o faz: Saloio sim, parvo não. Logo agradeço a tua preocupação em acolher bem as pessoas que chegam ao concelho, mas não é o meu caso.

Quanto ao sair da cadeira e fazer algo de útil pelos outros nesta vila, bem meu caro, já fiz algumas vezes coisas que penso tenham ajudado as pessoas por aqui. Sou membro do Banco Alimentar contra a fome, e já realizei bastantes campanhas no Modelo de Mafra, tanto a recolher e entregar sacos, como até a ajudar na organização, e a tomar a responsabilidade por turnos inteiros. Também fiz já bastantes vezes ajuda nas campanhas de doação de sangue, parte da organização, prestando-me a tarefas tão insignificantes como recolher as senhas das pessoas que vão entrando para os médicos, e coordenar as ditas entradas, ou andar na carrinha da mesma associação no dia antes da recolha de sangue a fazer publicidade à mesma. Claro que nada disto é tão nobre e elevado como a tua participação na JS, ACISM e nas associações de estudantes que frequentaste, sim eu conheço minimamente o teu percurso, não iria dizer nada sem saber minimamente do que falo, pelo menos na tua óptica.

As minhas actividades mais “nobres”, segundo o que muita gente acha, estão mais longe, quase sempre em Lisboa. Já fui editor de pequenas publicações dentro do fantástico, estive envolvido no movimento Académico, e fiz parte da organização de diversos encontros literários, e workshops, especialmente no âmbito do fantástico nas artes, ao qual vieram convidados internacionais, alguns de renome. Penso que isso não se faz ficando sentado na cadeira, como bem deves saber. Sou membro fundador com muito orgulho da Épica, Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, juntamente com diversos autores nacionais, editores, críticos e outras figuras. Foi um convite que quando me foi feito muito me agradou, e é dos projectos que mais gozo me deram levar a bom porto. Realmente nunca fiz nada neste âmbito na nossa vila, apesar de já o ter falado várias vezes dentro da associação, mas nunca vi meios e estruturas para conseguir um bom projecto. Possivelmente tens acesso a mais meios que eu, se achas que é viável, contacta-me, o meu mail está no “Sobre mim”, e tomamos um café para ver se poderemos fazer algo.

Também não falo do alto da minha saúde imaculada como dizes. Eu também não sou um exemplo de saúde, nunca o fui. Sou asmático desde criança, e estou gordo. Isso fora uma lesão crónica no joelho, vitima de um triste incidente no Metro de Lisboa, mas não é isso que me faz deixar de frequentar um ginásio. Abomino comprimidos para emagrecer, e outras soluções rápidas, podes encontrar um artigo meu de Setembro neste blog onde falo disso, e faço ginásio porque me sinto pesado, e fico melhor comigo mesmo, mais forte, mais ágil, e mais resistente fazendo-o. Faço por mim, não pelos outros. Quem faz este tipo de coisas pelos outros, e são muitos, acaba por ser fútil e vazio, logo não merece o meu tempo.

Ter saúde é mau…

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Pedro Tomás subscreve:

«Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta. É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira, em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas, em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»
Miguel Sousa Tavares, Expresso

Realmente senhor Tavares, ou Pedro Tomás pois será mais provável que leia o que escrevo que o senhor Tavares, o que fazia falta era aquelas gerações antigas de grandes pensadores, de cara amarelada pelos anos, cabelo desgrenhado pelos anos, e cigarro na mão enquanto seguíam para mais uma discussão filosófica e melancólica da qual só saiam opiniões, e poucas acções. Mas estranhamente, fora a parte do café que onde nunca vi o senhor Tavares, todo o resto da descrição assenta-lhe que nem uma luva. O seu aspecto parece cada dia mais com um de um texto de Cesário Verde, e a sua decadência mais óbvia. Mas porque tudo isto? Porque todo este ressabianço de as pessoas cuidarem da saúde? Será por ter sido proibido de fumar o seu cigarro para cima das outras pessoas? É que nos dias a seguir à nova lei do tabaco ter entrado em vigor, muito o autor do Equador veio refilar com a intrusão do estado na saúde das pessoas, e agora vai mais longe, e critica as pessoas por acharem uma prioridade na sua vida a saúde. E sim, ele refere saúde, mas depois tenta apenas criticar o aspecto. Meter tudo no mesmo saco é um truque antigo de Miguel Sousa Tavares, e muitas vezes também feito aqui pelo senhor Pedro Tomás, em seu blog. Não que sejam parecidos, pois um é afirmativamente PS, e eternamente candidato a candidato a algo, e o Miguel Sousa Tavares é conhecido pelo seu direitismo CDS-PP, se bem que sempre contra toda e qualquer liderança, pois não têm exactamente a mesma ideia que ele. Claro que para mim o partido de Miguel Sousa Tavares é o Umbiguismo… mas isso são contas para outro rosário.

Mas porque não separar os argumentos todos, e tentar ver quais os bons, e os maus (segundo a minha opinião claro).

Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta.

Ambíguo, mas acho que uma geração que transforma a saúde como sua prioridade, é uma geração que provavelmente dura mais anos e mais saudável. Não vejo mal nisso. E se viver mais tempo, tem mais tempo para se dedicar às causas que segue. E acho o tempo gasto no ginásio muito revigorante para a mente, pois quando lá estou na solidão do exercício, muito penso e reflicto. Ou só se pode reflectir na ponta de um cigarro?

É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira

Pois é meu caro, as mulheres já não têm de ficar em casa a tomar conta dos filhos, e agora só os têm se quiserem, e não porque o marido assim deseja. Realmente, que mau…

em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas,

Os fazedores de imagem acham que eles terem uma imagem saudável é aconselhável. Mais ainda, pensam que o público começa a achar que quem fuma, ou seja se auto-destrói com um prazer que normalmente começa apenas como uma forma de mostrar ao amigos que é fixe, é alguém com menos capacidade para gerir a vida de todos. Realmente, um tipo de suicida lento é o gajo ideal para nos governar. Os fazedores de imagem não repararam nisso. E pior, o público também prefere quem não o faz. Mas espera, não era o país que apoiava todo a “liberdade” dos fumadores? Parece que não…

em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»

Esta parte concordo, quase na totalidade. Que raio, parece que o Sousa Tavares sabe mesmo escrever. Deixou para o fim os argumentos decentes, e com algum sentido, para depois ser isso que fica na memória, e o leitor mais rápido e desatento possa ficar com a ideia que tudo o que o senhor diz faz sentido, e que realmente a saúde é mau. Espera, isso não pode ser considerado oportunismo? Não deve ser. Pois não seria capaz uma pessoa que nunca usou a imagem e o nome de uma mãe que era escritora genial, nem usou um espaço de comentário numa televisão sensacionalista, para conseguir chegar ao público geral com um par de romances, que se tornam best sellers imediatos. Isso não é oportunismo, são coincidências.

Mas pronto, ter saúde é mau…

Dia 1 de Fevereiro, dia de luto

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Estive para escrever algo sobre o dia do regicidio, mas acabei por não o fazer, e encontrei um texto doutro blog que exprime quase por inteiro a minha posição, logo vou deixar o link para o mesmo e uma pequena adenda minha.

 Sou Republicana porque nasci numa República e porque voto no Presidente da República, mas não me afectaria nada viver numa Monarquia.

A minha nota fica para a participação do Presidente da República na cerimónia de inauguração de uma estátua de D. Carlos. Ponto positivo para a sua tomada de posição, e ponto negativo ao governo e ao Ministro da Defesa  que impediram a Banda da Marinha de prestar a justa homenagem a um antigo chefe de estado que sempre honrou a farda dessa força armada que tantas vezes envergou. Pena Cavaco Silva não ter puxado dos galões, e passado por cima da ordem do Ministro, porque apesar de tudo, e segundo a nossa Constituição, é ele o chefe supremo das forças armadas.

Maria da Fonte - o hino esquecido

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Na cerimónia de inauguração de ontem, do último troço da A21, foi tocado pela banda da Escola de Música Juventude de Mafra, o Hino da Maria da Fonte. Pergunto-me quantos entre os presentes saberão o que é isso, e mais ainda, o que ele significa. Na verdade, o Maria da Fonte é um Hino Nacional, de valia quase igual à Portuguesa, sendo que o primeiro é normalmente usado para saudar altos cargos militares, e ministros da Republica, enquanto que o segundo é sempre utilizado na presença do Presidente.

Para quem não conhece a letra, que aposto que seja a maioria das pessoas, fica aqui a letra do mesmo, criada pelo maestro Angelo Frondoni, e que foi durante muitos anos a música do Partido Progessista.

Viva a Maria da Fonte
Com as pistolas na mão
Para matar os cabrais
Que são falsos à nação

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

Viva a Maria da Fonte
A cavalo e sem cair
Com as pistolas à cinta
A tocar a reunir

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

Lá raiou a liberdade
Que a nação há-de aditar
Glória ao Minho que primeiro
O seu grito fez soar

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

Dia de 1 Janeiro de 2008 - O Dia da Liberdade de Opção

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Dia 1 de Janeiro este rectângulo à beira mar plantado foi alvo de uma lei que mudou drasticamente a vivência dos seus habitantes. Para muitos a liberdade de poderem finalmente estar num café sem levar com o tabaco dos outros, para outros uma restrição à sua liberdade, digna de um governo totalitário. No último texto que tinha colocado aqui já tinha referido que muitos portugueses sentiam que este governo estava a tomar medidas de alguma repressão, e totalitárias, será este mais um caso.

Por toda a rua, Internet e qualquer outro sítio onde possam expressar a opinião, fumadores de todas as idades e credos juram a pés juntos o seu civismo durante a todo o tempo que fumaram com a anterior lei. Sempre que fumaram, dizem, que pediram se podiam fumar a quem estava com eles. Eu muito raramente vi isso acontecer, mas pronto a questão é outra. Uma pessoa entra num bar, e como se sente afectada pela quantidade de fumo, os fumadores reparam e param de fumar. Sim, isto é apenas hipoteticamente, porque nunca vi algo deste género a acontecer, mesmo quando alguém tossia ferozmente. Mas pronto, os fumadores dizem que paravam de fumar, e voilá, tudo resolvido. Claro, porque toda a gente sabe que não existem nuvens enormes de fumo em qualquer bar/discoteca, ou mesmo muitas vezes restaurantes e pastelarias. Para eles é só parar de fumar naquele momento, e tudo está limpo. Claro que o bom samaritano fumador vem logo dizer que nas discotecas e bares nocturnos isto não faz sentido, porque as pessoas que frequentas estes meios ou estão habituadas ao tabaco, ou fumam. Será que eles nunca se lembraram que muita gente saía menos à noite por causa da suposta liberdade deles? Para mim liberdade sempre me foi ensinado que era ter os meus direitos, até ao ponto em que não afectava os direitos dos outros.

Mas esta lei peca especialmente por tardia, visto haverem hábitos muito enraizados na sociedade Portuguesa. Muitos fumadores, que apesar de tudo se encontram a cumprir positivamente a lei, queixam-se de tudo e de todos, até porque podem fumar menos. Um caso giro que vi foi um empregado na televisão a dizer que agora com isto, o governo vai-lhe baixar a produtividade no emprego, visto agora ter de fazer pausas de hora a hora, para fumar o seu cigarro. Será que o patrão dele apoia isso? Agora além do tempo que temos para ir à casa de banho e lanchar, justos na minha opinião, tem de se dar tempo para o cigarro? E quem não fuma, para compensar pode ter 5 minutos de hora a hora, para ir assobiar uma cantiga, se quiser? Facto positivo é a quantidade de pessoas que conheço que tomaram a decisão de deixar de fumar com a saída desta lei, e isso é uma grande vitória. Sim, porque em parte a lei também era para cortar o ciclo vicioso de que ir a um café era socializar e fumar, levando pessoas ao vicio do tabaco para poderem socializar.

E acima de tudo foi o dia em que a maioria silenciosa de portugueses perdeu a vergonha. Agora com esta lei, parece que finalmente acordaram e viram que não têm de tomar por medida com os vícios dos outros, e podem em sítios públicos viver na sua forma de vida, sem serem prejudicados pelas formas de vida de outros.

O ano de 2007

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Hah, what luck
Fascism you can vote for

- Stone Sour

Bem, muito se pode dizer sobre o ano que passou, mas o que me fica mais na ideia, é algo que esta frase de um poema entoado pelos Stone Sour no seu álbum de abertura me faz pensar. Neste ano que passou muito se falou dos direitos e das liberdades, e pela primeira vez desde que me conheço, vejo quase diariamente pessoas em Portugal a queixarem-se do estado fascista em que foi parar Portugal. Isto apesar de ter sido um governo eleito democráticamente.

Obviamente não concordo que isto seja um regime fascista, até porque já por dezenas de vezes me insurgi pela forma como o termo fascismo é usado para qualificar toda e qualquer ditadura, e agora para qualquer forma totalitária de poder. Mas uma coisa é certa, no ano de 2007 muitas ocorrencias meteram as pessoas a pensar, desde as medidas impopulares do Governo em relação a tudo e mais alguma coisa, a sempre presente ASAE, e ao extremo de Jornalistas da RTP a receberem processos por expressarem opiniões contrárias ao governo, e até sindicatos a serem alvo de buscas da PSP em vespera de manifestações. Isto para não falar do professor que foi afastado por dizer mal do governo.

Será que em 2008 o clima de semi-totalitarismo irá mudar, ou será mesmo este governo de José Sócrates um Fascismo no qual se pode votar, como diz a citação com que iniciei este texto?

Espero que seja um bom ano, e é isso que desejo para todos, os que se deram ao trabalho de ler estas linhas, e aos que nem sequer alguma vez ouviram falar deste cantinho.