Metallica continuam vivos, Machine Head a surpresa

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Nada bate a energia e a qualidade de uma banda como os Metallica, a levarem ao rubro dezenas de milhares de pessoas, e na passada quinta-feira, no parque da Bela Vista em Lisboa, eu fui um dos privilegiados que sentiu de novo isso na pele. Um dia de Rock in Rio ao mais alto nivel, mas que nem por isso começou genialmente.

Consegui mais um amigo chegar bem à frente, cerca de 15 metros do palco, para o primeiro concerto, já perto das 19 horas. Os portugueses Moonspell eram a banda alinhada para começar a festa, e tentou firmar ali os seus créditos reconhecidos nacional, e internacionalmente. E falharam. Cada vez que tocavam bem uma música, e animavam o público, vinham logo de seguida com “mambo jambo” gótico, e estragavam o ambiente todo. Será que eles não percebem que frases como “Para os seres da noite, nunca é dia mesmo quando o sol vai alto”, ou “E agora para os amantes da noite e da lua, verdadeiros adoradores da musica eterna que é o metal”, são do mais puro ridículo? Talvez nos círculos góticos as pessoas achem piada a isso, mas quem tem alguns neurónios funcionais, duvido. Claro que se fosse dito com uma voz de gozo teria piada, mas assim… Como algumas músicas medianas, colmatadas com uma ou outra boa, perdem totalmente o seu valor pela patetice das palavras. Mas pronto, foi só para começar.

Quando a noite se preparava para aparecer, chegaram os Apocalyptica. Estes finlandeses surpreenderam o mundo à uns anos atrás quando lançaram o seu primeiro álbum, onde tocavam Metallica mas num quarteto de violoncelos. O virtuosismo da banda é inegável, mas tinha muito medo em relação à prestação ao vivo, especialmente num ambiente de festival de verão desta dimensão. Mas não tinham razão de ser estes medos, a banda finlandesa não desiludiu, e cumpriu, apesar de ter levado o publico ao rubro apenas quando tocaram covers de Metallica. Mas num dia que era dedicado aos Metallica, não seria estranho.

E a noite começa a avançar, e o público cada vez mais ansioso por Metallica, mas quem surge são os Machine Head. E que recepção eles tiveram. Assobios, gritos por Metallica, e muita gente a cantarolar a música com  que os Metallica abrem os concertos. O vocalista sorri, não dá parte fraca, e começa a sua actuação, com muita força e espírito. Entre a primeira e a segunda música, os gritos por Metallica e os assobios voltam ainda mais fortes. Muita gente poderia esperar uma má reacção da banda em palco, mas com um sorriso na cara apenas dizem que também são fãs de Metallica, e que é a maior honra que têm poderem estar com eles em palco. Na passagem de músicas seguintes o nivel de contestação sob os Machine Head, e pedidos de Metallica, baixaram, e a banda a pulso ia ganhando o público. Até ao ponto em que o vocalista já estava quase em lágrimas, e a dizer que nunca tinha visto um público como o nosso, e que voltaria em breve, mesmo que não fosse para tocar, estaria no meio com todos nós. Eu que não gostava de Machine Head, saí dali com uma simpatia pela banda, a qual até estou a ouvir neste momento. A quantidade de energia despendida pelo publico, foi altíssima, mesmo ao nível do magnifico concerto de Metallica no Super Bock Super Rock o ano passado, e isso veio a verificar-se depois.

Ao entrar no palco os Metallica mostraram que vinham de novo para incendiar Lisboa, começando por uma sequência de músicas rápidas e agressivas para levar logo tudo ao extremo logo de inicio. Resolveram pegar em algumas músicas não tão do agrado dos fãs, sempre mantendo a alternância com as mais conhecidas, para evitar repetir a genial set list do ano passado. E aprovo isso, porque a variedade também é importância. Mas isso em conjunto com o cansaço de largos sectores do público pela actuação muito forte de Machine Head, notaram-se e o público não puxou tanto como no ano passado. Adorei o concerto este ano, foi uma noite magnifica. No geral acho que foi um concerto melhor ainda que o do ano passado, pelo todo, mas infelizmente tenho de reconhecer que no ano passado os Metallica foram mais longe. Não que os culpe a eles só, porque claramente que ainda estão em forma, e com muito a dar. Mas a força do público, numa quinta a noite, ressentiu-se.

Uma grande noite! Quem nunca foi a algo como isto, e especialmente quem nunca viu Metallica ao vivo, tente fazê-lo o mais cedo possível. Vale a pena!

Música de Intervenção I - José Carlos Ary dos Santos

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ArydosSantosEste texto segue com o nome de Música de Intervenção I, pois de seguida farei outro um pouco em contra ponto. Portugal é dito um país de poetas, e felizmente temos a história polvilhada de grandes mestres desta arte, uns mais conhecidos, outros menos, mas a qualidade existe pelas gerações fora. Muitos deles tiveram algumas das suas obras convertidas em música, na sua maioria anos após a sua morte, desde Florbela Espanca a Camões, mas também tivemos nomes que percorreram o caminho inverso, sendo primeiro conhecidos pelas letras que fizeram para a música, que são verdadeiros poemas. E um desses grandes nomes, é sem dúvida José Carlos Ary dos Santos.

Não acho contudo que toda a música seja poesia, e sinceramente, muitas das músicas que oiço, e aprecio, dificilmente considero tal coisa. Nem toda a música precisa de ser uma boa poesia para ser uma boa música. E muito boa poesia pode falhar na sua transformação para música. E nem tudo o que se escreve em verso, é poesia… Para dizer a verdade, nem sequer precisa de ser verso para ser poesia, mas chega de deambulações.

A poesia de Ary dos Santos não era normalmente vã, e no meio de um regime ditatorial, soube fazer letras para músicas de intervenção, e para as levar ao maior palco da altura, o festival da canção. Fazer letras de intervenção para ser apresentado ao público máximo, fintando primeiro a mão da censura, e depois ser notada o que era ao povo pensante, não era tarefa fácil. Juntando isso a algo que fosse bom o suficiente para ganhar o concurso, e ir até ao palco internacional, era de génio.

Em 1969 finta a censura com a Desfolhada Portuguesa, cantado por Simone de Oliveira, subvertendo e mostrando uma mensagem anti-ditatorial, passa o crivo inicial da censura, e chega ao estrelato, tendo sido posteriormente uma das melhores participações portuguesas do festival Eurovisão da Canção. A censura passou uma vergonha, e não se esperava que se voltasse a deixar enganar. Mas em 1973, durante o completo descrédito da primavera Marcelista, Ary dos Santos repete a graça, desta vez pela voz de Fernando Tordo, e de forma muito mais directa. Fica aqui o vídeo da música, em tributo a um poeta que lutou pela arma que conhecia contra um regime, e me deixa a pensar o quão fracos são os supostos músicos de intervenção do tal Hip Hop Tuga, mas isso vai ser guardado para o artigo que vem em seguida.

Maria da Fonte - o hino esquecido

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Na cerimónia de inauguração de ontem, do último troço da A21, foi tocado pela banda da Escola de Música Juventude de Mafra, o Hino da Maria da Fonte. Pergunto-me quantos entre os presentes saberão o que é isso, e mais ainda, o que ele significa. Na verdade, o Maria da Fonte é um Hino Nacional, de valia quase igual à Portuguesa, sendo que o primeiro é normalmente usado para saudar altos cargos militares, e ministros da Republica, enquanto que o segundo é sempre utilizado na presença do Presidente.

Para quem não conhece a letra, que aposto que seja a maioria das pessoas, fica aqui a letra do mesmo, criada pelo maestro Angelo Frondoni, e que foi durante muitos anos a música do Partido Progessista.

Viva a Maria da Fonte
Com as pistolas na mão
Para matar os cabrais
Que são falsos à nação

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

Viva a Maria da Fonte
A cavalo e sem cair
Com as pistolas à cinta
A tocar a reunir

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

Lá raiou a liberdade
Que a nação há-de aditar
Glória ao Minho que primeiro
O seu grito fez soar

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

É avante Portugueses
É avante não temer
Pela santa Liberdade
Triunfar ou perecer

E do limbo, surgem guitarras em 2007

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“The best rock and roll band left on the planet.” -Sammy Hagar, vocalista dos Van Halen

Depois do concerto dos Metallica, no Super Bock Super Rock, tive uma súbita vontade de voltar mais ao ambiente rico em guitarra que cresci a ouvir. Bandas como AC/DC, Metallica, Megadeth, Anthrax, Stone Temple Pilots, e claro Guns’n'Roses voltaram a ser a minha companhia, depois de alguns anos ligado a power/epic/afins metal. E posso dizer que me reencontrei musicalmente.

A zona que vai desde o hard rock até ao thrash metal é sem dúvida o meu lar musical. Mas em parte achei-o velho e vazio de novidades.
Muitas bandas extintas, outras que mais valiam estar extintas, outras a experimentar outros géneros, mas coisas novas nesta linha, com ideias e qualidade, não conhecia nada. E foi neste clima que meio do nada oiço uma noticia que uns tais de Velvet Revolver, citados como Hard-Rock, iam lançar o segundo álbum, e em anexo à noticia vinha um comentário do seu guitarrista, Slash. Mal li quem era o guitarrista, nada mais nada mesmo que o guitarra solo da época de ouro dos Guns, fui em busca de mais informação.

A banda é formada não por um, mas por três membros da época de ouro dos Guns, guitarra solo, baixo e bateria, e para melhorar ainda mais o cenário, o vocalista é o Scott Weiland, ex-voz dos Stone Temple Pilots. Logo tratei de arranjar o album, se bem que com muito medo que fosse algo típico de uma junção de reformados dos 80/90’s só para fazer dinheiro.

Felizmente estava enganado, e Libertad é para mim o melhor álbum de 2007, que é juntamente com o outro álbum da banda, Contraband de 2003, uma lufada de ar fresco no Hard-Rock. E conseguíram evitar o risco de colagem ao passado. A sonoridade não é a de Guns, nem a de STP, nem uma mistura rasca de ambas, é mesmo algo novo, é Velvet Revolver!

How does it feel to be alive? YEAAAAAHHHH

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Podia começar a falar do concerto de quinta feira em relação à falta de energia e de Mastodon, da(o) ridiculo(a) vocalista dos Blood Brothers, dos matrecos que preferi a jogar em vez de estar a ouvir Stone Sour, ou da mais de meia hora que os Metallica demoraram a entrar em palco. Mas porque? Porque não foi isso que me ficou da noite. Primeiro a extravagancia criativa de Joe Satrianni, e depois o puro rush de adrenalina dos Metallica, regados com uma boa dose de reencontro de velhos amigos, fizeram-me passar uma das melhores noites da minha vida.

O alinhamento das músicas tocadas, evitando por completo o St. Anger, foi quase perfeito, e a vida com que eles as tocaram foi assustadora. A interacção que tiveram com o público fizeram a malta cantar, gritar, saltar… enfim viver. Melhor que isto… só mesmo uma coisa, e vocês sabem qual é.

Para quem não foi fica aqui o alinhamento da noite, e um conselho. Para a próxima não faltem.

 Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
Ride The Lightning
Disposable Heroes
The Unforgiven
…And Justice For All
The Memory Remains
The Four Horsemen
Orion
Fade To Black
Master of Puppets
Battery
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Sad But True
Nothing Else Matters
One
Enter Sandman
- - - -
Am I Evil?
Seek and Destroy

A melhor banda do mundo

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Um dia que começa da forma necessária, com o belo do exame na faculdade, vai acabar de forma provavelmente brutal no meio de milhares de fãs de Metallica. Como fã da banda, e nascido no ano do seu primeiro trabalho discográfico, estou preparado para cantar, gritar, e sem dúvida passar uma noite magnifica, que também servirá para aliviar o stress de mais um semestre quase acabado, e com os últimos exames/trabalhos a serem feitos.

Amanhã dou notícias sobre como correu o concerto, espero que boas! Por agora, meter-me na A21, para o exame ser feito depois de já ter estado com tempo e horas na faculdade, para estar descontraído o suficiente.