Olha sempre pró lado fixe da vida

A21, Espectáculo, Lisboa No Comments »

É com esta frase que finaliza o espectáculo d’”Os Melhores Sketches dos Monty Python“, que esteve em exibição no auditório dos Oceanos no Casino de Lisboa, e que agora anda em digressão pelo país. Considero-me um fã deste grupo de humoristas que entrou para a história já nos idos anos 70, apesar de eu próprio já os ter conhecido tarde, já andava eu na faculdade, e o grupo já tinha findado o seu trabalho à quase vinte anos. E isso meteu-me renitente em relação a uma adaptação dos seus sketches para a língua de Eça, sim, prefiro dizer de Eça do que de Camões, um dia escrevo algo em relação a isso. Mantive-me quase até à última hora indeciso sobre se haveria de ir ver esta adaptação ou não, mas como surgiu em prenda de Natal, e uma grande prenda, pois foi surpreendente, e baseada nos meus gostos (tanto por Monty Python como de Nuno Markl seu adaptador).

Quando fui ver o espectáculo já ia com um bom pressentimento, e alegre, até pela companhia, e não me desiludi. Toda a envolvência do auditório ajudaram em muito, a encenação, a cargo de António Feio e a adaptação de Nuno Markl estavam muito bem. Gostei especialmente das liberdades a que ele se deu para adaptar alguns sketches marcantes, como o do Lenhador que perderia muito pela fraca ligação dessa profissão a Portugal, e a sua mudança para trolha, que criou um efeito muito bem conseguido.

Não gostei particularmente da actuação do Bruno Nogueira, estando um pouco preso, algo que vem sendo comum nele nos últimos tempos. A sua chegada à fama demasiado rápida por vezes faz parecer que acaba por actuar com o ego elevado, e limitar a sua naturalidade. Jorge Mourato por outro lado encarna em grande parte dos sketches o papel de vitima, e de uma maneira muito bem conseguída.

A dupla António Feio e José Pedro Gomes, mesmo que não sejam oficialmente uma dupla ali, é sempre algo especial. Sigo esta dupla desde a original Conversas da Treta, ainda nos tempos de rádio, e a química que têm entre eles é algo fora de série. E emprestam-na aos mais variados sketches enriquecendo-os de uma maneira muito positiva. Seria o ponto alto do espectáculo, não fosse outro homem.

Já vi dezenas de trabalhos diferentes por Miguel Guilherme, desde à muitos anos, mas em 2007 atingiu para mim o seu ponto alto. No campo da televisão e do drama, o programa Diz-me como foi em exibição na RTP1 nas noites de Domingo, é em sim muito bom, e a participação de Miguel Guilherme de um nível altíssimo. Mas no humor, género onde começou por aparecer, atingiu o seu topo agora a tomar para Portugal estas peças de Monty Python. Absolutamente genial.

O espectáculo em sim está muito bem conseguido, com uma excelente adaptação, e todos os envolvidos estão de parabens. Merece cada cêntimo que se paga para ir ver. E se foi oferecido como no meu caso, só têm de agradecer profundamente a quem vos ofereceu.

Dia 1 de Fevereiro, dia de luto

Lisboa, Política No Comments »

Estive para escrever algo sobre o dia do regicidio, mas acabei por não o fazer, e encontrei um texto doutro blog que exprime quase por inteiro a minha posição, logo vou deixar o link para o mesmo e uma pequena adenda minha.

 Sou Republicana porque nasci numa República e porque voto no Presidente da República, mas não me afectaria nada viver numa Monarquia.

A minha nota fica para a participação do Presidente da República na cerimónia de inauguração de uma estátua de D. Carlos. Ponto positivo para a sua tomada de posição, e ponto negativo ao governo e ao Ministro da Defesa  que impediram a Banda da Marinha de prestar a justa homenagem a um antigo chefe de estado que sempre honrou a farda dessa força armada que tantas vezes envergou. Pena Cavaco Silva não ter puxado dos galões, e passado por cima da ordem do Ministro, porque apesar de tudo, e segundo a nossa Constituição, é ele o chefe supremo das forças armadas.

Greve ou dia de compras?

A21, Lisboa 1 Comment »

Mais uma vez a admnistração pública entra em greve para defender o que acham justo. Ou melhor para fazer a greve anual por protesto dos aumentos propostos. Sim, porque actualmente já se tornou em apenas mais um ritual que antes do natal, muitas vezes repetido na época de saldos de Janeiro, se faça a greve dos aumentos salariais. Sim, uma greve sobre os seus novos vencimentos do grupo de pessoas que mais negoceia com a sua entidade patronal. No sector privado este tipo de previlégio é muito mais raro e limitado, mas como aí fazer greve não é tirar um dia de folga (pagando-o no entanto), isso não acontece.

E mais uma vez temos uma greve com uma coimcidencia bem gira. Estranhamente calhou numa sexta-feira, se bem que se fosse numa segunda não estranharia, em periodo alto de compras natalícias, e logo após a recepção do tão aguardado subsídio de Natal. Que sorte a coincidência de ter calhado neste dia. E claro, como está frio os trabalhadores não conseguiram fazer a greve à porta do seu local de trabalho, como uma greve deveria ser feita.

Só tenho pena de hoje não ter tempo livre para ir ao centro comercial Colombo, ou outra grande superfície munida de um Toys’r'us e/ou FNAC, senão ilustrava este texto com uma foto, pois aposto que vão estar nesses sítios mais funcionários públicos que em qualquer manifestação.

E e governo sai prejúdicado com isto? Dúvido sequer que se rale, de tão vulgar e corriqueiro que se tornou este tipo de evento. Agora o aluno que precisava das aulas e do almoço na cantina, o contribuinte que precisava de ir a uma repartição de finanças, o doente que tinha consulta marcada à um ano… e tantos outros. Esses sim perdem algo, mas não têm nada a ver com os motivos da greve.

É por estas e por outras que os funcionários públicos, não obstante de haver muitos bons profissionais entre eles, têm a reputação que têm em Portugal.

Quem pagou este cartaz?

Lisboa No Comments »

Ao descer hoje a Alameda D. Afonso Henriques, deparo-me com dois cartazes. Um do candidato do Bloco de esquerda, a dizer que o Zé faz falta (dá vontade de perguntar a quem, mas isso fica para outro texto), e um da candidata “independente” Helena Roseta. Qual o meu espanto quando reparo que colado no cartaz da senhora se encontrava um enorme papel amarelo, a perguntas quanto tinha custado o cartaz.

 

Pergunta legítima, e penso que a resposta será encontrada no fim da campanha, quando as contas forem apresentadas. Agora o ridículo para mim é o “post-it”, colocado por cima. Porque razão se faz anti política nos cartazes dos outros? Pior, porque neste caso não são apenas uns riscos por cima de algo, mas sim um papel impresso em grande formato, denotando preparação prévia. Porque não perguntar quanto custou esse papel? É que a candidata “independente” tem apoios legais para tal acção, que fez este trabalho anónimo não sei.

Mas a parte estúpida é ainda outra. Se queriam arranjar maneira de questionar a independência real da campanha de Helena Roseta, porque não o fazer com questões interessantes e inteligentes? Uma muito simples seria “Quem contribuiu com os fundos para pagar este cartaz?“.