Assaltos a chegar à nossa terra

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Durante algum tempo, o «gang das almofadas» – nome de guerra por que ficou conhecido um grupo que assaltou vários estabelecimentos, colectividades e residências – utilizando um «pé de cabra», partindo as almofadas das portas, penetrando no interior e roubando pequenos objectos mas de muito valor, fez o pavor em Mafra. Um pouco adormecido ou utilizando outras tácticas, este grupo deixou de fazer das suas em grande escala para se dedicar a pequenos furtos de tabaco, bebidas e alguns trocos que os comerciantes deixavam nas caixas propositadamente abertas para evitar o vandalismo nas mesmas.

Mas agora o mesmo ou outro com as mesmas características volta à carga, e os assaltos a residências, estabelecimentos e colectividades estão na ordem do dia em Mafra.

Neste domingo, último dia de Agosto, a casa de um tio meu foi assaltada em plena vila de Mafra, (Avenida 1.º de Maio) ao fim da tarde. Juntamente com mais algumas casas do mesmo prédio onde vivem, perto do largo do Pelourinho, uma zona densamente povoada. As perdas monetárias são pesadas, mas as psicológicas ainda são maiores. Saber que uma criança de quatro anos está neste momento agarrada a uma almofada num sofá, a dizer apenas “Os maus entraram cá”, dói. Saber que durante muito tempo a casa que aquela família possui, a pagar com o suor do trabalho, e que é deles, não lhes vai parecer um santuário, como qualquer lar deve ser, dói. Um grupo, ou apenas uma pessoa, mas pronto, de animais que não sabem viver em sociedade roubaram o fruto do trabalho da vida de pessoas honestas, e assustaram durante muito tempo a vida dessa gente. Se não fosse minha família ficaria indignado, sendo da minha família, além de me indignar doi-me. Cada vez que a imagem mental do meu primo pequenino, agarrado à almofada a pensar nos «maus» que foram à casa dele, cerrasse-me os dentes em raiva. E depois começo a pensar na onda de violência que neste último ano tem crescido de forma imparável. Azar diz o Governo. Falta de integração social diz o Bloco de Esquerda. Eu por outro lado digo outra coisa.

Faz dia 15 de Setembro um ano da aplicação das medidas do novo código de processo penal, encaradas pelo nosso Primeiro-Ministro, o senhor José Sócrates, como de grande evolução humanista. Com isto mais de metade dos presos em prisão preventiva tiveram uma hipótese de sair em liberdade até serem julgados. Esta oportunidade foi concedida e, coincidência ou não, estranhamente aconteceu a grande vaga de crimes, especialmente assaltos, que apareceu neste ano. Lembrem-se que a oportunidade foi dada a alguns pedófilos, alguns outros casos mais ou menos mediáticos, mas na maioria dos casos foi dada a assaltantes, crime considerado menor. É menor roubar o pão da vida de quem trabalha? É menor meter as pessoas trabalhadoras deste País com medo de chegar a sua casa, paga com o suor do seu corpo, e a encontrarem vazia? Ou pior, correr o risco de ser assaltado com uma arma apontada à cabeça como aconteceu numa papelaria a semana passada em frente à escola Secundária José Saramago? É justo dar uma oportunidade de esperar em liberdade pelo julgamento, a pessoas que são apanhadas em flagrante delito, ou com provas fortes?

Achava mais justo tentar maximizar as oportunidades de crianças pequenas não terem de chorar ao ver o sítio que consideram lar e santuário violado. Aos pais que não têm de pensar em como recuperar, com o fruto do seu trabalho, aquilo que já tinham conseguido e lhes foi retirado por animais que ignoram todas as regras que nos permitem viver em sociedade.

IC19 - Primeiro dia mau

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A manhã foi de nevoeiro e chuva, e como não podia deixar de ser veio de presente uns toquezinhos por parte de alguns automóveis. Eu esperava isto, e mais, sendo o IC19 conhecido por ser um ponto negro não me admirava nada de encontrar hoje acidentes.

Mas no percurso de casa para o trabalho, apanhar cinco acidentes… é obra. Ainda para mais quatro deles no IC19, o que tendo em conta que só faço 5 km aproximadamente de IC19, dá uma média de quase um acidente por quilómetro.

Bem, ao menos acaba a crise dos mecânicos.

A21 ou deverei passar a dizer IC19?

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Finda a vida académica muito muda, entre elas a parte dos hábitos diários. Comecei hoje  trabalhar numa empresa perto do Tagus Park, e em vez de me encaminhar todos os dias entre Mafra e Lisboa, pela A8 e A21, troquei-as pelo IC30 e o IC19. O autocarro da Mafrense trocado pelo meu automóvel, e as horas que gastava a ler no autocarro, por boa música. Pelo menos até trocar de rádio, por um que apanhe rádio decentemente, em vez de andar só a ouvir o meu MP3.

Felizmente fiquei empregado numa empresa com bom ambiente, boa localização, e uma boa máquina de café (coisa que incrivelmente para mim acaba por ser importante). Programar sempre foi uma das coisas que senti facilidade, e até gosto, e gostei tanto das linguagens em que esta empresa trabalha (PHP e C#), como dos negócios em que estão envolvidos. Agora tenho de mostrar o meu valor, e mostrar o que sei fazer, e crescer como pessoa, e como profissional, coisas que só consegui-mos na prática.

Tenho um pouco de pena de deixar Lisboa, mas por outro lado tinha em parte gosto em trabalhar na zona do “Silicon Valley Português”, logo era-me indiferente qualquer uma das duas opções. Agora é seguir em frente, e voilá.

E começar a escrever mais por aqui, visto não o ter feito muito regularmente nos últimos tempos, desde que fui de férias até agora ainda não tinha colocado nada.

Um ano, ou deverei dizer novecentos e oitenta anos?

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Faz hoje um ano que inaugurei este blog, escolhendo uma data que me diz muito, o dia em que a nossa nação passou a existir de facto, o dia da Batalha de São Mamede, onde as tropas do condado Portucalense chefiadas pelo então jovem D. Afonso Henriques repeliram as forças de Leão, vindas da Galiza. Mas dessa data falarei noutra altura.

Quando iniciei este blog não sabia bem o que esperar dele. Sabia que desde à muitos anos andava demasiado ligado a Lisboa, e menos a Mafra, e às terras que a rodeiam, e neste ano tudo mudou. Criei isto numa altura complicada da minha vida pessoal, com muitas mudanças, e hoje considero que estou melhor, mais forte, mais vivo. A regularidade deste blog foi tudo menos impressionante, mas as estatísticas deixam-me satisfeito. As pessoas chegam muito aqui via motores de busca, o que mostra que privilegiar os artigos mais longos não é uma aposta totalmente errada, mesmo que isso seja pior para fixar leitores. Ao fim de um ano quase três mil pessoas diferentes passaram aqui, o que me deixa feliz, se bem que não é nem de perto nem de longe o site que fiz com mais visitas. No entanto a estatística tempo de permanência por visita me deixa agradado, pois em média quem aqui chega raramente fica menos de um minuto, e muitos deles passam bem mais, o que prova, pelo menos em teoria, que acabam por ler. E ver que os textos sobre Ary dos Santos e sobre o Hino da Maria da Fonte são dos mais visitados, e que atraem muita gente via google, deixa-me feliz, e a pensar que mesmo que pouco, por vezes fiz algum serviço público.

Polémicas tive poucas, fora um caso com o Pedro Tomás, a quem deixo desde já um convite renovado para o tal café, que por calendário apertado nos últimos meses para mim tem sido impossível. Mas que conto ter em breve algum, até porque posso demorar, mas não esqueço, e uma conversa para falar de ideias sobre a vila, e o futuro sabem sempre bem.

Espero continuar por muito tempo a escrever neste cantinho, do qual hoje já conheço a voz. Obrigado a todos os que me leram, concordando ou não comigo.

10 de Junho - Dia de Portugal? Será realmente correcto?

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Hoje é dia 10 de Junho. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Em suma o nosso dia nacional. E porquê? Porque a certa altura algum iluminado resolveu dizer que este era o dia da morte, ou nascimento, do poeta Luís Vaz de Camões. E por isso, numa vaga de recriação de feriados, com o intuito de retirar os feriados religiosos e substituir por outros, logo após a revolução de 5 de Outubro de 1910, Lisboa, para manter uma festa não religiosa perto da data do Santo António, decretou esta data como feriado Municipal. Anos mais tarde durante o estado novo resolveram tornar a data mais forte ainda, associando-lhe o “Dia da Raça”, termo que foi usado de novo este ano por Aníbal Cavaco Silva, com polémica de pronto criada. Ninguém dúvida da importância deste poeta, mas é esta tanta ao ponto de fazer esquecer o dia da nossa independência?

Se perguntarem a qualquer pessoa de outra nação, eles provavelmente sabem o seu dia da independência, até porque é feriado, no entanto em Portugal não. O mais curioso é existirem feriados de revolução. Temos a revolução de 25 de Abril de 1974 marcada como feriado, temos a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 como feriado, e a restauração da independência como feriado do 1º de Dezembro. Ou seja temos a troca de regime duas vezes, e até a restauração da independência como feriados de estado, mas a data da independência deste rectângulo à beira mar plantado não.

Mas que data é esta a da nossa independência? Aí temos um pequeno problema, é que existem no mínimo duas. A data de declaração de independência, e a que mais me agradaria ter como feriado, é 24 de Junho de 1128 (e data em que abri este blog o ano passado, propositadamente para celebrar). Ou seja a data da Batalha de S. Mamede, onde D. Afonso Henriques defrontou as hostes galegas de sua mãe e venceu. A partir daí declarou independência e passou a assinar como Principe de Portugal. A questão é essa, ele não se declarou Rei logo aí, e só o viria a fazer em 1143, e à outra data que poderia ser tornada feriado.

A data é a do Tratado de Zamora, que põe fim à guerra da independencia portuguesa, e em que o Rei de Leão e Castela reconhece a nossa independencia, e D. Afonso Henriques como Rei de Portugal. E esta é a data que mais me choca, visto já ser na realidade feriado, mas não por este motivo. A data é 5 de Outubro, e porque não passarem a dar mais importancia a esta data que à implantação da Républica? Será que o regime é mais importante que a nação?

O caso do telemóvel, o maior crime nacional

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Deixei propositadamente acalmar toda a euforia bloguística e jornalística sobre o caso da miúda que enfurecidamente tentou recuperar o seu telemóvel, para falar um bocado sobre uma coisa que me chocou bastante em todo o processo. Sim, em parte falhei, porque isto ainda dá pano para mangas por toda a imprensa, e blogosfera, mas será agora que direi o que penso.

Não, não estou chocado com a miúda que fez a triste cena. É uma acção de indisciplina, é mau para toda a gente que se tomem comportamentos destes, mas não é nada que nunca se tenha ouvido. Quem nunca ouviu de casos bem mais graves nos dias de hoje? Ok, foi filmado, e tornado público. Grande coisa.

Também não é pela atitude da professora. Muito já ouvi falar sobre ela ter agido bem ou mal, tanto que até já me faz confusão. Para mim agiu mal, a partir do momento em que foi buscar pessoalmente o telemóvel à mão da miúda quebrou a barreira física entre aluno e professor, e as cenas que se seguíram foram apenas uma consequência patética. Mas isto não minora o erro da aluna. Não é por uma ter errado que a outra fez a coisa certa.

Os miúdos meterem-se a gravar, e não separarem as pessoas para poder filmar mais um bocado, provaram que são miúdos. Agiram mal, sim é verdade. Toda a gente também já percebeu isto.

Agora as declarações e toda a colocação e aproveitamento mediático por parte do procurador geral da República são para mim o pior de tudo. Não tem a atenuante da professora de se encontrar sob uma turma que não controla, ou dos miúdos serem miúdos. O procurador apareceu logo na TV a dizer que ia seguir com atenção todo este caso, e que já tinha colocado o Ministério Público a tratar do crime público de ofensas que aconteceu. Serei apenas eu que vi uma miúda a agarrar-se a uma professora por causa de um telemóvel? Não vi facas sacadas, nem armas apontadas. Nem sequer um murro. Porque raio é que o nosso mais alto Procurador tem de vir seguir este caso com atenção, para que seja punido exemplarmente o seu causador? Não existe criminalidade mais grave que isto em Portugal? Se for assim, fico realmente satisfeito… Viver num país em que o crime mais grave que anda a acontecer é uma aluna de 14 anos andar a brigar com a professora pela posse de um telemóvel. Uff, antes isso que homicídios com armas de calibre de guerra ou carjacking a tornar-se popular.

Resquiat in Pace Sir Arthur C. Clarke

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ACCportrait Mais uma pessoa que me diz muito no campo da literatura, e do fantástico no seu todo, nos abandona. Parece que desde que iniciei este blog que começa a ser o prato do dia. Mas as pessoas não são eternas, e o grande mestre que nos abandona hoje já não era novo, como ele próprio o disse, já tinha passado mais de noventa órbitas do céu. E com grande humor referiu recentemente que uma pessoa sabe que está velho, quando as velas custam mais que o bolo. Esta frase foi proferida por ele num vídeo, que colocarei aqui no final do texto via youtube, em Dezembro de 2007, por altura do seu nonagésimo aniversário, em que ele próprio admite que a morte está perto, e no qual quis deixar algumas palavras aos seus fãs.

Lembro-me do meu primeiro contacto com Arthur C. Clarke, num verão do inicio da década de 90. Teria eu os meus dez, talvez onze, anos e resolvi ir, como tantas vezes, até à Biblioteca Municipal de Mafra, para ver se alugava um livro. Nesse dia resolvi pegar em ficção cientifica, pois eu gostava de ciência, e o tema haveria de me interessar. 2001 Odisseia no Espaço foi o titulo que me saltou à vista, e lá o trouxe para casa. Ficaria bem dizer que o devorei num instante, mas não foi esse o caso. Lembro-me que demorei algum tempo a lê-lo, provavelmente um mês, até porque achei que era um pouco difícil, e que tinha um final mau até. O que na altura achei difícil, anos mais tarde na releitura, e na língua original, achei delicioso. E o final que achara mau, de repente tornou-se mágico e perfeito. Esta obra era na realidade um pequeno conto que Clarke tinha escrito, mais tarde por desafio de Stanley Kulbric reescrito e aumentado, para aquilo que viria a ser o guião do filme, e finalmente preparado para a versão final em romance.

Parece que a cada passo que dei na minha vida, descobri mais um pouco de Clarke. De escritor de livros que li em criança, passou para referencia como um dos grandes nomes da Ficção Cientifica. Depois dentro desta como um daqueles que realmente até percebia algo de ciência, e se ralava com ela. Não em apenas fazer naves aos tiros, que tão mau nome tem dado ao género. E já na faculdade, no estudo de satélites artificiais e a sua utilização nas telecomunicações, vim a saber que Clarke foi o primeiro a propor tal uso, e a descrever com precisão qual seria a melhor órbita para estes operarem. E esta órbita é a que ainda hoje é utilizada, de tal forma que por muitos é conhecida por Órbita Clarke. Acredito que durante muitos anos ainda vou descobrir mais facetas deste homem, nascido no Reino Unido no início do século passado, e que hoje nos deixou, na ilha onde viveu grande parte da sua vida, e que Camões refere logo no primeiro canto dos Lusíadas como Taprobana. Problemas de respiração tiraram a vida ao homem que ainda em Dezembro dizia que não era por estar preso a uma cadeira de rodas que estava impedido de viajar com a sua mente pelo universo.

Mas se algo me deixa feliz no meio desta noticia de morte, é as palavras do homem, eternizadas por ele em vídeo, em que diz que viveu uma vida grande, e que viu mais nascer e acontecer do que alguma vez supôs. Viveu uma boa vida. Descansa em paz.

Cliquem aqui para ver o vídeo.

Olha sempre pró lado fixe da vida

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É com esta frase que finaliza o espectáculo d’”Os Melhores Sketches dos Monty Python“, que esteve em exibição no auditório dos Oceanos no Casino de Lisboa, e que agora anda em digressão pelo país. Considero-me um fã deste grupo de humoristas que entrou para a história já nos idos anos 70, apesar de eu próprio já os ter conhecido tarde, já andava eu na faculdade, e o grupo já tinha findado o seu trabalho à quase vinte anos. E isso meteu-me renitente em relação a uma adaptação dos seus sketches para a língua de Eça, sim, prefiro dizer de Eça do que de Camões, um dia escrevo algo em relação a isso. Mantive-me quase até à última hora indeciso sobre se haveria de ir ver esta adaptação ou não, mas como surgiu em prenda de Natal, e uma grande prenda, pois foi surpreendente, e baseada nos meus gostos (tanto por Monty Python como de Nuno Markl seu adaptador).

Quando fui ver o espectáculo já ia com um bom pressentimento, e alegre, até pela companhia, e não me desiludi. Toda a envolvência do auditório ajudaram em muito, a encenação, a cargo de António Feio e a adaptação de Nuno Markl estavam muito bem. Gostei especialmente das liberdades a que ele se deu para adaptar alguns sketches marcantes, como o do Lenhador que perderia muito pela fraca ligação dessa profissão a Portugal, e a sua mudança para trolha, que criou um efeito muito bem conseguido.

Não gostei particularmente da actuação do Bruno Nogueira, estando um pouco preso, algo que vem sendo comum nele nos últimos tempos. A sua chegada à fama demasiado rápida por vezes faz parecer que acaba por actuar com o ego elevado, e limitar a sua naturalidade. Jorge Mourato por outro lado encarna em grande parte dos sketches o papel de vitima, e de uma maneira muito bem conseguída.

A dupla António Feio e José Pedro Gomes, mesmo que não sejam oficialmente uma dupla ali, é sempre algo especial. Sigo esta dupla desde a original Conversas da Treta, ainda nos tempos de rádio, e a química que têm entre eles é algo fora de série. E emprestam-na aos mais variados sketches enriquecendo-os de uma maneira muito positiva. Seria o ponto alto do espectáculo, não fosse outro homem.

Já vi dezenas de trabalhos diferentes por Miguel Guilherme, desde à muitos anos, mas em 2007 atingiu para mim o seu ponto alto. No campo da televisão e do drama, o programa Diz-me como foi em exibição na RTP1 nas noites de Domingo, é em sim muito bom, e a participação de Miguel Guilherme de um nível altíssimo. Mas no humor, género onde começou por aparecer, atingiu o seu topo agora a tomar para Portugal estas peças de Monty Python. Absolutamente genial.

O espectáculo em sim está muito bem conseguido, com uma excelente adaptação, e todos os envolvidos estão de parabens. Merece cada cêntimo que se paga para ir ver. E se foi oferecido como no meu caso, só têm de agradecer profundamente a quem vos ofereceu.

Saloio sim, parvo não

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Em resposta ao Pedro Tomás, agradeço teres lido com atenção todo o meu texto, mas parece que infelizmente nunca leste o “Sobre mim”, que está neste blog, o que teria evitado um pequeno embaraço teu agora. Citando-me a mim próprio:

Desde o surgimento da tecnologia RSS, e actualmente da sua massificação, que me tornei um blogger, e finalmente com este blog rendo-me de novo ao Concelho e Vila que me viram crescer.

Sou tão saloio como tu, visto apenas não ter nascido nesta bela vila onde já o meu pai nasceu, porque a maternidade da mesma já se encontrava encerrada, e ter nascido de uma gravidez de alto risco, no Hospital de Santa Maria em Lisboa. No entanto vim para Mafra mal deram me deram alta, e passei a habitar uma casa simpática bem dentro desta vila que adoro, onde cresci com muito orgulho. Nunca tive habitação fora de Mafra, e tenho orgulho na minha origem saloia, e orgulhosamente quando oiço o mal uso da palavra saloio em Lisboa, onde passo grande parte do meu tempo, respondo como o meu pai tantas vezes o faz: Saloio sim, parvo não. Logo agradeço a tua preocupação em acolher bem as pessoas que chegam ao concelho, mas não é o meu caso.

Quanto ao sair da cadeira e fazer algo de útil pelos outros nesta vila, bem meu caro, já fiz algumas vezes coisas que penso tenham ajudado as pessoas por aqui. Sou membro do Banco Alimentar contra a fome, e já realizei bastantes campanhas no Modelo de Mafra, tanto a recolher e entregar sacos, como até a ajudar na organização, e a tomar a responsabilidade por turnos inteiros. Também fiz já bastantes vezes ajuda nas campanhas de doação de sangue, parte da organização, prestando-me a tarefas tão insignificantes como recolher as senhas das pessoas que vão entrando para os médicos, e coordenar as ditas entradas, ou andar na carrinha da mesma associação no dia antes da recolha de sangue a fazer publicidade à mesma. Claro que nada disto é tão nobre e elevado como a tua participação na JS, ACISM e nas associações de estudantes que frequentaste, sim eu conheço minimamente o teu percurso, não iria dizer nada sem saber minimamente do que falo, pelo menos na tua óptica.

As minhas actividades mais “nobres”, segundo o que muita gente acha, estão mais longe, quase sempre em Lisboa. Já fui editor de pequenas publicações dentro do fantástico, estive envolvido no movimento Académico, e fiz parte da organização de diversos encontros literários, e workshops, especialmente no âmbito do fantástico nas artes, ao qual vieram convidados internacionais, alguns de renome. Penso que isso não se faz ficando sentado na cadeira, como bem deves saber. Sou membro fundador com muito orgulho da Épica, Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, juntamente com diversos autores nacionais, editores, críticos e outras figuras. Foi um convite que quando me foi feito muito me agradou, e é dos projectos que mais gozo me deram levar a bom porto. Realmente nunca fiz nada neste âmbito na nossa vila, apesar de já o ter falado várias vezes dentro da associação, mas nunca vi meios e estruturas para conseguir um bom projecto. Possivelmente tens acesso a mais meios que eu, se achas que é viável, contacta-me, o meu mail está no “Sobre mim”, e tomamos um café para ver se poderemos fazer algo.

Também não falo do alto da minha saúde imaculada como dizes. Eu também não sou um exemplo de saúde, nunca o fui. Sou asmático desde criança, e estou gordo. Isso fora uma lesão crónica no joelho, vitima de um triste incidente no Metro de Lisboa, mas não é isso que me faz deixar de frequentar um ginásio. Abomino comprimidos para emagrecer, e outras soluções rápidas, podes encontrar um artigo meu de Setembro neste blog onde falo disso, e faço ginásio porque me sinto pesado, e fico melhor comigo mesmo, mais forte, mais ágil, e mais resistente fazendo-o. Faço por mim, não pelos outros. Quem faz este tipo de coisas pelos outros, e são muitos, acaba por ser fútil e vazio, logo não merece o meu tempo.

Ter saúde é mau…

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Pedro Tomás subscreve:

«Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta. É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira, em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas, em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»
Miguel Sousa Tavares, Expresso

Realmente senhor Tavares, ou Pedro Tomás pois será mais provável que leia o que escrevo que o senhor Tavares, o que fazia falta era aquelas gerações antigas de grandes pensadores, de cara amarelada pelos anos, cabelo desgrenhado pelos anos, e cigarro na mão enquanto seguíam para mais uma discussão filosófica e melancólica da qual só saiam opiniões, e poucas acções. Mas estranhamente, fora a parte do café que onde nunca vi o senhor Tavares, todo o resto da descrição assenta-lhe que nem uma luva. O seu aspecto parece cada dia mais com um de um texto de Cesário Verde, e a sua decadência mais óbvia. Mas porque tudo isto? Porque todo este ressabianço de as pessoas cuidarem da saúde? Será por ter sido proibido de fumar o seu cigarro para cima das outras pessoas? É que nos dias a seguir à nova lei do tabaco ter entrado em vigor, muito o autor do Equador veio refilar com a intrusão do estado na saúde das pessoas, e agora vai mais longe, e critica as pessoas por acharem uma prioridade na sua vida a saúde. E sim, ele refere saúde, mas depois tenta apenas criticar o aspecto. Meter tudo no mesmo saco é um truque antigo de Miguel Sousa Tavares, e muitas vezes também feito aqui pelo senhor Pedro Tomás, em seu blog. Não que sejam parecidos, pois um é afirmativamente PS, e eternamente candidato a candidato a algo, e o Miguel Sousa Tavares é conhecido pelo seu direitismo CDS-PP, se bem que sempre contra toda e qualquer liderança, pois não têm exactamente a mesma ideia que ele. Claro que para mim o partido de Miguel Sousa Tavares é o Umbiguismo… mas isso são contas para outro rosário.

Mas porque não separar os argumentos todos, e tentar ver quais os bons, e os maus (segundo a minha opinião claro).

Uma geração que transforma a saúde de cada um na questão principal e obsessiva do dia-a-dia é uma geração sem causas e profundamente egoísta.

Ambíguo, mas acho que uma geração que transforma a saúde como sua prioridade, é uma geração que provavelmente dura mais anos e mais saudável. Não vejo mal nisso. E se viver mais tempo, tem mais tempo para se dedicar às causas que segue. E acho o tempo gasto no ginásio muito revigorante para a mente, pois quando lá estou na solidão do exercício, muito penso e reflicto. Ou só se pode reflectir na ponta de um cigarro?

É a mesma geração em que as mulheres não têm filhos para não estragarem a linha e a carreira

Pois é meu caro, as mulheres já não têm de ficar em casa a tomar conta dos filhos, e agora só os têm se quiserem, e não porque o marido assim deseja. Realmente, que mau…

em que os políticos vivem deslumbrados com o que os fazedores de imagem lhes mandam fazer e se sentem obrigados a praticar desporto em público e fumarem às escondidas,

Os fazedores de imagem acham que eles terem uma imagem saudável é aconselhável. Mais ainda, pensam que o público começa a achar que quem fuma, ou seja se auto-destrói com um prazer que normalmente começa apenas como uma forma de mostrar ao amigos que é fixe, é alguém com menos capacidade para gerir a vida de todos. Realmente, um tipo de suicida lento é o gajo ideal para nos governar. Os fazedores de imagem não repararam nisso. E pior, o público também prefere quem não o faz. Mas espera, não era o país que apoiava todo a “liberdade” dos fumadores? Parece que não…

em que os que se tomam por vedetas públicas correm a anunciar às ?revistas sociais? que têm um novo amor, com medo que a gente pense que estão sozinhos (como se não estivéssemos quase todos?), em que os ricos perderam qualquer vergonha e vivem nas «off-shores» e nas fundações para fugirem ao fisco e os banqueiros recebem fortunas para se irem embora e pararem de roubar os accionistas. Esta é a cultura que está no poder, agora. Não admira que grande parte do mundo seja governada por simples oportunistas.»

Esta parte concordo, quase na totalidade. Que raio, parece que o Sousa Tavares sabe mesmo escrever. Deixou para o fim os argumentos decentes, e com algum sentido, para depois ser isso que fica na memória, e o leitor mais rápido e desatento possa ficar com a ideia que tudo o que o senhor diz faz sentido, e que realmente a saúde é mau. Espera, isso não pode ser considerado oportunismo? Não deve ser. Pois não seria capaz uma pessoa que nunca usou a imagem e o nome de uma mãe que era escritora genial, nem usou um espaço de comentário numa televisão sensacionalista, para conseguir chegar ao público geral com um par de romances, que se tornam best sellers imediatos. Isso não é oportunismo, são coincidências.

Mas pronto, ter saúde é mau…